Por Ana Luiza Souza

Difícil começar o relato do parto do Rafa sem relembrar o nascimento dos meus outros dois filhos…

Quando engravidei do Dudu, apesar da minha pouca idade (14 anos), já senti um amor enorme por ele a partir do momento que soube que eu estava grávida. E com pouca ou nenhuma informação sobre o assunto. Já nas primeiras consultas agendei uma cesárea para o dia 20/03 (aniversário do meu pai), mas entrei em trabalho de parto prematuro e ele nasceu em um parto normal (super indesejado) com algumas intervenções no dia 10/02/96. Quando ele nasceu pensei: “Mas um parto normal é só isso? Quero que todos os meus filhos nasçam assim…”

15 anos depois engravidei do Gui, que também senti um amor enorme desde o momento que soube que o estava gestando. Desde o princípio quis um parto normal, passei por 4 médicos até achar uma obstetra que gostei. Ela me enrolou até as 34 semanas e depois fez um terrorismo, marcando uma “cesárea de emergência” pro final da tarde do outro dia. E eu boba aceitei. A DPP era 25/09 e ele nasceu 17/08/12.

Após tudo isso fiquei muito frustrada, com medo, 2 filhos e dois partos que aconteceram de uma maneira que eu não desejava, mas estávamos todos saudáveis, vivos. Mas eu triste e frustrada, principalmente pela médica que agiu de má fé me induzindo a uma cesárea no nascimento do Gui. A tristeza não era por mim, mas por ele. Pela forma que ele chegou ao mundo. E isso sempre me doeu demais!

Sendo assim, antes de engravidar do Rafa eu já procurava médicos confiáveis. Quando eu e meu marido Edson (Beleu) resolvemos que era hora de ter mais um filho, fizemos o plano de saúde, logo fui a uma consulta com o Dr. Vinícius Fernandes, tirei o DIU e então era só esperar. Engravidei muito rápido, no segundo ciclo de tentativas. Com apenas 1 dia de atraso, no dia do meu aniversário, tive o positivo, mais um bebê a caminho! Me fizeram uma surpresa, mas eu e meu marido que surpreendemos a todos com a novidade.

Dessa vez, diferente das outras, eu não sentia aquele amor enorme pelo bebê, fiquei esperando os acontecimentos pra perceber esse amor…

Comecei o pré-natal com o Dr. Vinícius e desde o primeiro momento me senti acolhida, vi que tinha feito a escolha certa, meu problema não era fazer outra cesárea, se realmente fosse necessário, eu faria sem problemas, mas eu queria um médico que eu pudesse confiar, que sabia que só me indicaria uma cirurgia se fosse realmente necessário, e ele se mostrou incrível desde o começo, sempre acreditando em mim, apoiando. O pré-natal foi todo perfeito, nenhum problema mais sério, apenas o colo do útero mais curto que o normal, o que provavelmente determinou os nascimentos prematuros dos meus dois outros filhos, mas logo comecei a usar a medicação correta e correu tudo bem.

Mais ou menos com umas 20 semanas já comecei a sentir as contrações de treinamento, mas sem dor, e sem nenhum problema maior.
Como já disse, eu não senti aquele amor imenso desde o começo da gravidez, fiquei esperando começar o pré-natal, ouvir o coração… Saber o sexo… Sentir mexer.. Mas esse amor não vinha… E isso me incomodava muito!

No decorrer da gravidez fui conhecendo pessoas incríveis, uma delas foi a Indianara Ferreira. Quando tive o Dudu, as fotos eram tiradas com filme, e a maioria queimava rs, então tenho apenas 1 foto grávida dele. Quando tive o Gui, marquei de tirar fotos com 35 semanas, mas ele nasceu com 34… Eu só tinhas as fotos que eu mesma tirei durante a gravidez. Então com 30 semanas marquei com a Indi (fotógrafa) pra gente tirar as fotos, fomos eu, Beleu, Dudu e Gui. De repente chegando ao Jardim Botânico conhecemos uma família linda, Indi, Fernando e Heitor. E foi assim: conversando, brincando, caminhando (em um frio lascado), que foram feitas as minhas fotos de gestante que ficaram lindas, muito mais do que eu poderia imaginar!  Já estava combinado que ela faria também as fotos do parto.

Com 36 semanas parei de usar o medicamento que me ajudava a manter a gravidez, então era só esperar… Eu tinha certeza que assim que parasse os remédios ele nasceria, pois as contrações eram diárias e contínuas. Mas vieram as 37 semanas… 38… E nada!

Um sábado, um dia antes de completar 39 semanas, quando fui tomar banho, resolvi conversar com ele, como sempre conversava. Falei que já estava tudo pronto, que ele podia vir, que eu já estava cansada, mas que iria respeitar o tempo dele. Falei muitas coisas sobre ele nascer. De repente, pela primeira vez, senti uma coisa muito forte e comecei a chorar ao falar com ele, que eu sabia que ele estava esperando só eu dizer algo pra ele nascer. Então chorei muito, muito mesmo! Dizia que o amava, que eu também estava pronta pra ele, que se estava faltando ele saber disso, agora ele sabia e podia vir. Acho que foi um banho de quase 1 hora, mas resolvemos nossas questões, rs.

No domingo como sempre tive muitas contrações, mas vida normal. À tarde comecei a perceber que pela primeira vez independente do que eu fazia, elas estavam com um certo ritmo… Comecei a cronometrar e elas estavam vindo a cada 10 minutos mais ou menos. Falei com o Dr Vinícius, pois como ia pra Londrina a 80 km da onde moro, para o Rafa nascer, não queria esperar demais e viajar tendo contrações muito fortes, mas também não queria fazer essa viagem à toa.. rs

Ele perguntou se tinha como eu ser avaliada na minha cidade, então fui ao centro de saúde, a enfermeira viu que estava tudo bem com o Rafa, eu estava sem dilatação, mas ele estava muuuuito baixo. Já queria me mandar pra Londrina de ambulância, mas Dr Vinícius disse que eram os pródromos e para eu tentar descansar, pois essa fase poderia durar alguns dias.

Na segunda amanhecemos igual: contrações a cada 10 minutos, sem dor, mas com ritmo. Resolvi fazer o que precisava, fiz compras, fui fazer a unha pq eu queria parir diva… Ia ter até fotos né… rs. E assim passamos o dia. Avisei o marido que quando ele chegasse à noite eu iria novamente ao centro de saúde fazer outra avaliação. Fui já era umas 20h30min horas, desde as 20h00min horas percebi que tinha começado a sair o tampão e a enfermeira constatou que eu estava com 3 cm de dilatação. Sendo assim, o Dr Vinicius achou melhor eu ir pra Londrina ser avaliada no hospital, mas fomos combinados que qualquer coisa eu iria pra um hotel ou casa de parentes.

Foi muito difícil me despedir do Gui, que iria ficar na minha sogra, era a última vez que eu pegava e abraçava ele como meu caçulinha. Chorei muito, mas terminei de arrumar as coisas passamos na casa da minha mãe pegar ela e me despedir do Dudu e fui pra Londrina, eu, Beleu e minha mãe.

Viagem super tranquila, fui cantando o tempo todo… Beleu chegou em Londrina bravo, dizendo que eu estava querendo acelerar as coisas, que a gente estava perdendo a viagem. Eu estava super de boa mesmo, Kkkk. Dei entrada no hospital Evangélico, e mesmo estando super bem, sem dores, tive que subir de cadeira de rodas. A enfermeira fez o cardiotoco e viu que estava tudo bem com o Rafa e eu com 4 cm de dilatação. Ela se comunicou com o Dr. e ele achou melhor eu ficar lá.

A maternidade estava bem cheia, ela estava meio sem saber onde me colocar, aí perguntei sobre o quarto de parto normal. Ela me olhou assustada e perguntou: “Aquele da banheira? Vc quer ir pra lá?”. Eu disse que se desse eu queria sim, ela achou estranho (?), mas como não tinha ninguém, fui. Oficialmente meia noite dei entrada no hospital pra ficar. Fomos para o quarto, eu, marido e minha mãe… A enfermeira disse como eu deveria rebolar na bola, perguntou se eu tinha fome e logo veio um chá com bolachas… e disse que voltaria 01h30min pra outra avaliação.

Era época de olimpíadas, e ficamos vendo TV, conversando… Eu de boa, sem dores. Resolvi dar uma volta pelos corredores do hospital. Durante esse tempo todo conversando com o Dr Vinícius pelo WhatsApp e já tinha avisado a Indi (fotógrafa) que seria naquela noite. Caminhei, voltei pro quarto, rebolei na bola… Contrações ainda a cada 8 minutos e sem dor. 01h30min a enfermeira fez outro cardiotoco e toque, tudo bem com o Rafa e eu ainda com 4 cm de dilatação. Nessa hora dei uma desanimada! Achei que ia virar a noite e parir só no outro dia. Via as caras de sono da minha mãe e meu marido e pensei até em dispensá-los, rs. Afinal, só ia nascer no outro dia mesmo… A enfermeira avisou que voltaria perto das 04h00min pra outra avaliação.

Quando deu umas 03h30min percebi que as contrações começaram a ficar um pouco mais fortes, ainda estavam a cada 6 minutos e eu continuava super bem. Umas 03h50min a enfermeira voltou, me deitou pra fazer o cardiotoco, me arrumou e saiu do quarto. Nessa hora foi muito ruim: deitada foi horrível, comecei a sentir náuseas, posição muito incomoda! Após o cardiotoco ela fez outro toque e a surpresa: já estava com quase 8 cm…

Ainda pelo WhatsApp o Dr. Vinicius avisou que já estava a caminho e que ainda era cedo pra chamar a Indi. Nesse momento a dor estava mais forte, mais nada insuportável. E ainda a uns 6 minutos uma contração da outra. Nesse momento meu marido e minha mãe falaram: Vc não vai ligar suas músicas? ( fiz uma playlist pro parto). Não vai no chuveiro? Banheira? “Vc queria tanto tudo isso e agora só está na bola”… rs

Na verdade eu estava esperando o “bicho pegar” pra fazer tudo isso, mas nesse momento liguei a musica e fui pro chuveiro com a bola. Não consegui ficar confortável lá e a dor aumentou razoavelmente. Falei pro marido que era melhor mandar a Indi vir… Sai da bola e fui pra banheira. Era meu sonho um parto na água! No momento que sentei na banheira, senti vontade de fazer força… E gritei pra enfermeira. Ela veio e fez outro toque e eu já estava com dilatação completa. Dilatei os últimos 2 cm em menos de meia hora!

Nesse momento a enfermeira que até então estava sendo tão legal, pisou na bola. A cada contração ela queria fazer o toque, durante a contração, pra sentir se o bebê estava descendo, e isso era muito desconfortável, além de muito dolorido. Eu chorava pedindo pra ela parar, e ela continuava. Ai ela falou que era mais confortável na cama e tal, então resolvi sair da banheira (isso ainda me chateia).

Fui pra cama e a vontade de fazer força era muito grande. E a vontade de fazer o número 2 tb, Kkkk. Vinha à contração forte, eu fazia força e ela passava por alguns minutos. Teve uma hora, em um intervalo das contrações, eu estava de olhos fechados, ouvi alguém batendo na porta. A enfermeira perguntou quem era e eu só ouvi: “sou a fotógrafa”. Nossa, meu coração se encheu de alegria! Eu estava com muito medo de não dar tempo dela chegar. Quando abri os olhos ela estava lá, em um cantinho, piscou pra mim e fez um joia <3 Foi muito bom esse momento… Mas mesmo na cama a enfermeira continuava querendo fazer o toque durante as contrações e eu implorando que ela parasse. Depois a Indi me contou que estava quase pulando em cima dela já, rs. Durante as contrações no começo eu estava tentando separar a força pro Rafa nascer da força da vontade de fazer coco, mas percebi que não estava dando muito certo e resolvi que ia deixar rolar, afinal, quem trabalha com parto está acostumado com isso.

forca

Logo depois da Indi o Dr Vinícius chegou. Ai que alegria! Bem em uma contração, com a maldita enfermeira me fazendo o toque. A Indianara me falou que ele só olhou pra enfermeira e ela se mandou de lá! Pensa numa pessoa tranquila? Ele chegou, me deu um abraçoe disse que estava tudo bem, que eu estava indo muito bem. Puxou um banquinho e sentou de frente comigo. Logo chegou também o Dr Álvaro, o pediatra, estava lá a equipe completa! Nas contrações eu fazia força, nos intervalos cochilava. Teve um momento que eu achei que não ia conseguir, que não daria conta. Nesse momento Dr Vinicius começou a cantarolar minha playlist e eu pensei: “Meu, se o médico está cantando é pq está tudo certo…” rs. A Indi cantou também, foi lindo.

equipeMeu marido o tempo todo do meu lado, minha mãe também. Eles sem saber o que fazer, mas me dando todo o apoio que podiam e sabiam naquele momento. Eu fiz muitas forças, muito tempo, quando em uma delas eu senti o Rafa descer. Nessa hora, com toda tranquilidade do mundo, Dr Vinicius levantou e falou: “Pai, vai nascer… vem aqui ver!”

Eu senti o famoso círculo de fogo! Fiz mais uma força e senti sair a cabeça. Na próxima contração saiu o resto do corpinho. Às 5: 23 horas da manhã do dia 09/08/16 o Rafa nasceu. Dr Vinicius só pegou e colocou direto no meu colo. Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida! Minha mãe, meu marido, a Indi… Todos choravam! Eu não conseguia chorar… Só abraçava o Rafa e repetia: “Nós conseguimos, nós conseguimos!!”. Tive uma pequena laceração, que com apenas um pontinho já foi resolvida.

Perdi a noção da hora… Não sei dizer por quanto tempo o Rafa ficou no meu colo. Após o cordão parar de pulsar, Beleu cortou. Eu lembro que disse: “Agora é com vc meu filho”. Fiquei muito tempo com o Rafa no colo, observando cada detalhe, ele também me observando. Amamentando e amando.. amando.. amando… quanto amor naquele momento! Que sensação maravilhosa meu filho no meu colo. Ele pegou o peito perfeitamente desde o primeiro momento e ali ficamos o tempo necessário pro nos (re)conhecer. Acho que depois de 1 hora mais ou menos entreguei ele ao pai, para que fosse pesado, medido e trocado. Levantei da cama e fui andando lindamente até o banheiro e tomei um banho daqueles de lavar a alma! Depois passei no posto de enfermagem e fomos todos juntos para o quarto.

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E foi assim que o Rafa nasceu. Agradeço a Deus por ter me permitido viver esse momento, por colocar pessoas tão iluminadas em nossas vidas durante minha gestação e parto. Foi um momento único, incrível. Agradecimentos especiais ao dr Vinícius Fernandes por seu acolhimento e apoio, por sempre acreditar em mim mesmo quando eu mesma tinha minhas dúvidas. Ao Dr Álvaro pelo acolhimento e respeito que teve com o Rafa, por nos permitir viver esse momento único grudadinhos um ao outro e por me deixar livre pra conhecer meu filho o tempo que foi necessário. O mundo precisa de mais médicos como vocês!

Indianara… Obrigada! Muito obrigada por eternizar esses momentos lindos da minha vida, da gestação e do parto do meu filho. As fotos ficaram incríveis e revivo esses dias e me emociono sempre que vejo as fotos. Gratidão eterna.

Meu marido e minha mãe, que mesmo com seus medos e dúvidas me apoiaram em minha decisão e percorreram todo esse caminho de gestação e parto comigo: sem vocês eu não teria conseguido! Obrigada por estar o tempo todo do meu lado, amo vocês!

 

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