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De 5 a 10 de outubro, a Semana Internacional do Babywearing dissemina os benefícios físicos e emocionais de carregar o bebê junto ao corpo, apresentando a prática como uma possibilidade acessível a todas as famílias.

Está chegando a Semana Internacional do Babywearing (ou International Babywearing Week), que neste ano será realizada entre 5 e 10 de outubro, com o intuito de atrair a atenção do mundo sobre a importância e os benefícios do babywearing. Para quem não conhece, o termo em inglês significa manter o bebê conectado ao corpo do cuidador por meio de um sling e outros suportes semelhantes, em meio à realização de atividades diárias – um gesto tradicional e centenário em muitas culturas, mas ainda em processo de difusão nas sociedades modernas e industrializadas.

Segundo a diretora da BWI (Babywearing International), organização responsável pelo evento, Wendy Sparks, esta edição apresenta a prática como uma possibilidade real para todas as famílias, “um ato de união acessível a todos os que cuidam de uma criança”. A mensagem é de que mães, pais e cuidadores se familiarizem com o método e que não se limitem, pois, na maioria dos casos, os bebês podem ser portados assim desde o primeiro dia de suas vidas. Principalmente se são novatos, conectar-se ao bebê por meio do sling não parecerá mais complicado que segurá-lo corretamente, trocar as fraldas, dar banho etc. E certamente pode ampliar a percepção sobre o que ele está sentindo e suas necessidades mais sutis.

Babywearing week 2016

Neste ano, o tema é: “O melhor lugar da casa”, refletindo de antemão algumas vantagens da prática: enquanto está sendo carregada, a criança experimenta o conforto da proximidade com a pessoa que cuida dela e, sendo exposta a muito mais, também aprende mais sobre o mundo a partir deste lugar. Além disso, independentemente da aventura à qual seus pais a apresentem, ela estará sempre perto deles, no melhor lugar da casa. Como afirmou a psicóloga Teresa Garcia, em artigo compartilhado pela Asociación Red Canguru, o melhor para o recém-nascido é estar em seu ambiente, e seu primeiro ambiente é o corpo de sua mãe.

“Pouco a pouco o bebê vai conhecendo o nosso mundo, saindo do seu ambiente para outros, conhecendo nosso idioma, nossos costumes”, descreve a autora. E nos leva a pensar também: Se as separações e mudanças de país ou de cidade são difíceis para um adulto, como seria para um bebê que passou nove meses no ventre da mãe encontrar um mundo completamente desconhecido ao seu redor?

Ao nascer, o bebê passa pelo que a antropóloga Margaret Mead chama de “choque da pele”, por esta ser a sua mais desenvolvida fonte de contato com o entorno. Imediatamente depois, este sentido tátil começa a lhe ensinar sobre mundo: sinaliza se está em perigo, se a sua mãe o ama… É uma fase de estreita relação entre os efeitos físicos e emocionais. De tão intensa, algumas pesquisas atribuíram casos de morte súbita de recém-nascidos ao distanciamento físico da mãe nos primeiros dias de vida. “Para o recém-nascido, sentir a proximidade da mãe é uma necessidade tão básica quando dormir ou comer. O balanço do seu corpo e o seu cheiro tranquilizam e fazem com que se sinta seguro e querido. O estreito contato com seus pais lhe dá confiança em si mesmo e desperta seus sentidos”, relata uma publicação selecionada pela Red Canguru.

Como afirma Marie-Therise Ribeyron, no artigo Al principio era la piel, o bebê obedece ao instinto de ir em direção ao desconhecido sempre que o conhecido estiver assegurado. Do contrário, ele prefere não correr o risco de aventurar-se e reduz as suas explorações sensoriais. “Quando se põe em movimento rastejando ou engatinhando para explorar, ele volta regularmente para mamar no seio materno ou para ser tomado no colo. Mas se o conhecido falta, surge a angústia”, expõe a autora, ressaltando uma das origens “não aparentes” do choro da criança.

“Ao terem atendidas suas necessidades de contato, os bebês não precisam demonstrar sua ansiedade ou angústia gritando ou chorando. Quando crescem, não ficam grudados à mãe ou choram antes de dormir. Eles são capazes de entrar em uma verdadeira relação com os outros. São as crianças mágicas, descritas por J.C. Pearce. Crianças felizes que viveram plenamente na pele a sua primeira relação amorosa”, explica Ribeyron. Um estudo publicado na revista Pediatrics em 1996 confirmou esta evidência: levar as crianças em um sling reduz o choro e a agitação em 43% durante o dia e 51% durante a noite.

Não à toa, viajantes e pesquisadores sempre se surpreendam por não ouvir o choro de bebês ao visitar comunidades autóctones no Extremo Norte, na Índia, em Bali e tantos outros locais onde o costume é carregá-los junto ao corpo. A partir de observações deste gênero em tribos indígenas sul-americanas, a antropóloga americana Jean Liedloff criou o conceito de continuum, segundo o qual ter experiências que fizeram parte da adaptação da espécie humana – como dormir próximo dos pais, amamentar em livre demanda, ser atendido rapidamente ao chorar e estar em contato físico com os cuidadores – cria as condições ideais para o desenvolvimento integral do bebê (leia mais em nosso artigo Colo e o conceito de continuum). Os benefícios são nítidos: relaxamento, alívio de cólicas e impulsão dos movimentos intestinais, estimulação dos sentidos da visão e da audição etc.

No caso dos nascidos prematuramente, manter este contato é especialmente importante. Para eles, o sling funciona como um “útero com vista”, assumindo o papel de prolongar a gestação interrompida. O contato próximo com a mãe ou o pai, de maneira contínua, pode garantir ao bebê um sono mais profundo, facilidade para amamentar, melhor reparação de energias, ganho de peso acelerado, menos infecções e um melhor vínculo com os pais. Tanto é que algumas pesquisas mostram que prematuros que tiveram este tipo de contato precoce com os pais puderam sair mais cedo da incubadora.

Com tantos benefícios comprovados, tanto pela comunidade científica como pela experiência materna, vale revisitarmos o senso comum para uma reavaliação de ideias largamente difundidas nas sociedades ocidentais, como a de que não devemos carregar o bebê nos braços para que não se acostumem. Faz bem aquele que usa o próprio sentir para reconhecer a melhor maneira de se conduzir em cada situação, levando em conta as características únicas de cada criança – e o babywearing é uma maneira bem simples e acessível de exercê-lo.

Para participar da Semana Internacional do Babywearing e ajudar a tornar esta prática aceita mundialmente, acesse a página do evento no Facebook e use a hashtag #BestSeatIBW2016 em suas publicações.

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