Atividades culturais são fonte de inspiração para mães e bebês
27 de outubro de 2016
Estante Comparto: “Parto Ativo”
8 de novembro de 2016

Dois anos depois do nascimento do Davi, termino o meu relato de parto. Sempre quis escrever e publicar para que outras pessoas pudessem ler.
Meu único objetivo aqui, é o de ajudar pessoas em busca de informações sobre parto. Minha intenção não é julgar ou criticar ninguém.
Estou aberta à perguntas e críticas, sempre disposta a ajudar. Mas se o objetivo é apenas me criticar, faça, mas primeiro estude sobre o assunto.

Se estiver disposto a ler com carinho, siga em frente…

A trajetória do meu parto domiciliar começou na cesárea da Ju. No dia seis de janeiro de 2009 renascia uma Vanessa, então mãe, que sabia o quanto as pessoas podiam ser cruéis e o quanto pensavam somente nelas. Saí da maternidade me sentindo derrotada (na verdade eu tinha sido). Mas aos poucos fui renascendo e descobrindo que estava em minhas mãos a educação da minha filha. E foi por ela que busquei novas informações e caí no mundo da maternagem ativa e do parto humanizado!! Um mundo bom, mas difícil de ser conquistado, pois, para isso, é necessário estudar e fazer escolhas.

A gravidez da Ju foi planejada e muito desejada. Tinha passado por uma aborto há uns sete anos e tinha medo de viver aquilo novamente. Então, tudo era motivo pra preocupação. Mas foi uma gravidez tranquila. Passei com alguns médicos e decidimos por um que nos foi indicado. Ele era bem calmo e sempre disponível.

Para mim, o parto normal sempre foi a única opção. Tinha pavor só de imaginar a cesárea. Nosso médico dizia que parto normal era o melhor, falava dos inúmeros benefícios. No fundo eu sempre soube que não iria ter um parto normal, mas a “preguiça” e insegurança me fizeram continuar com ele. Nas consultas ele sempre falava algumas coisas absurdas, sobre anestesia, fórceps e das loucas que pariam em casa. Hoje sei que era pra ver se eu mudava de ideia, o que ele demorou pra conseguir. Eu insistia no parto normal.

Quando estava com 39 semanas, fizemos um ultrassom, ele disse que o bebê já estava prontinho pra nascer, mas como eu queria parto normal teria de esperar mais tempo… Sei que o objetivo dele era fazer com que eu quisesse marcar a cesárea, mas fui teimosa. Chegamos às 40 semanas, eu estava muito inchada e cansada, além da ansiedade que tomava conta…

Mais uma consulta, ele fez o exame de toque e disse que o melhor era marcar a cesárea, e já marcou para o dia seguinte. Eu não questionei, sabia que aquilo não estava certo, mas aceitei. Ele ia sair de férias no final da semana e eu era o seu último obstáculo, a Júlia tinha que nascer.

Sem dúvida nenhuma, foi o pior dia da minha vida. Sei que muitos vão me achar insensível, sem coração, enfim, mas não estou falando que não sou grata pela saúde da minha filha, aliás é quando penso no sofrimento dela que sofro mais ainda, porque sei que ela só dependia de mim pra ter um nascimento com respeito, mas eu não permiti. Assim foi feito, fomos para a maternidade e ela foi arrancada, enquanto os médicos falavam sobre futebol. Ela nasceu e olhei para o rostinho dela, passei a mão e, lembro como se fosse hoje, o quanto sua pele era macia.

Na época, eu não sabia o quanto sofria um bebê quando nasce, só fui aprender isso mais tarde, e sei o quanto ela sofreu. Foi aspirada, enfiaram canos, pingaram colírio em seu olho, ficou sozinha em um berço diante de uma plateia. Enquanto eu também estava sozinha em uma sala escura, esperando para ir para o quarto. E assim foi o desfecho daquela gravidez tão desejada, da nossa filha tão querida. Depois de tudo isso, só o que eu queria era fazer diferente na criação dela, e assim fizemos. Fiquei um tanto neurótica, confesso…Não permiti que ninguém se intrometesse na nossa relação e nos cuidados com ela.

Na gravidez, já lia bastante sobre parto e maternagem, mas lia nos lugares errados. Depois do nascimento, dela conheci as listas de discussão, e foi lá que eu descobri um mundo novo, amamentação prolongada, cama compartilhada, educar sem palmadas, e foi onde construí o caminho que me levaria ao meu próximo parto.

Foram 4 anos e meio lendo sobre parto. Li inúmeros relatos, sabia o nome dos médicos, doulas e parteiras. Também li muito sobre o trabalho de parto e suas fases. Depois de muito ler, decidi que o meu parto seria humanizado e natural. Eu não queira anestesia, episiotomia, nem nada disso. Mas seria hospitalar, com a equipe que eu escolhesse. Não me imaginava parindo em casa, apesar de achar o máximo.

Lembrando que parto humanizado é quando se respeita a mulher, somente isso. Ele pode ser em hospital, casa de parto ou em casa. Com analgesia ou sem, depende da evolução do parto.

Demorou para me dar vontade de ter outro filho. Tinha pavor só de imaginar passar por tudo de novo. Mas o momento chegou, e veio aquele desejo de ter um bebezinho em casa novamente.

Nosso Davi veio muito rápido, no primeiro mês já estava grávida. Ficamos todos muito felizes com a notícia da gravidez. Foi uma gestação bem diferente da primeira. Já não tinha tanta preocupação e confiava no meu corpo, tudo fluiu de uma maneira muito mais leve. Foi tudo muito tranquilo, apenas enjoei muito e sentia um sono absurdo, mas tudo passou depois do primeiro trimestre.

Eu achava que tudo seria tão fácil, mas acabei encontrando um mundo novo, em que as decisões eram só nossas. Achava que iria até ao médico e ele teria a equipe completa, mas não é bem assim… Nos consultamos com dois médicos humanizados, ambos maravilhosos. Eu estava encantada em conhecê-los, em estar com pessoas que defendiam o parto normal, que me entendiam…

Não imaginava um parto domiciliar, achava lindo e perfeito, mas não pra mim. Queria um parto humanizado hospitalar. Escolhemos nossa obstetra, linda e maravilhosa, com uma calma invejável, Dra Andrea. Ela nos indicou a Cris Balzano para ser a obstetriz, nossa parteira mais do que perfeita. Marcamos com ela e estava tudo combinado. Conhecemos a Doula Raquel Oliva, em uma consulta deliciosa. Nossa equipe estava quase formada, só faltava o pediatra, pois dessa vez não iam fazer procedimentos desnecessários em meu bebê.

Conforme a barriga crescia, fui sentindo que não tinha motivo pra sair de casa e ir a um hospital. Começava a surgir o desejo pelo Parto domiciliar. Nas consultas com a Cris, perguntava sobre os partos que ela atendia em casa, tinha muita vontade, mas não me sentia segura.

Nesse meio tempo, a Dra. Andrea teve um contratempo com a Maternidade que havíamos escolhido. Fomos conhecer outro hospital. O quarto era pequeno e a banheira minúscula. Não consegui me ver em trabalho de parto naquele lugar. Para ajudar, a Júlia foi embora chorando, pois não queria ficar longe de mim, nem eu queria ficar longe dela.

O nascimento do Davi estava previsto para março, e em janeiro decidimos o que estava decidido desde sempre: ele nasceria em casa.

Porém, junto com a nossa decisão, descobrimos que ele estava sentado. Conversamos com a Andrea e com a Cris, que me passou alguns exercícios e me ensinou a usar a moxa. Fiz tudo. Também conversamos muito com o Davi… Tomei muuuuita água para que ele tivesse mais espaço lá dentro. Durante esse tempo, tive uma consulta com a Miriam, fisioterapeuta, que me ensinou a usar o epi-no e fazer massagem no períneo.

Tínhamos uma nova consulta com a Andrea. Fui muito apreensiva, pois sabia que iríamos conversar sobre a posição do Davi. Antes de falar sobre o assunto ela foi me examinar. E foi mágico… ela disse que ele estava quase de cabeça pra baixo e na mesma hora ele virou e ficou cefálico!!! Ela nem chegou a colocar as mãos!! Fiquei muito feliz e mais disposta ainda para a vivência do meu parto.

Segui fazendo os exercícios com o epi-no e arrumando tudo para o parto. Não contamos pra ninguém sobre o Parto domiciliar. Apenas para a Katrine, sobrinha do Edson, que me deixou admirada dizendo o quanto achava isso tão legal. No final da gravidez também contei pra minha mãe. Se meu parto demorasse ou tivéssemos algum imprevisto, ela seria avisada e ficaria com a Ju.

A Júlia sempre soube e chegou a falar pra algumas pessoas que o irmão nasceria em casa, mas ninguém levava a sério!! 🙂 No início, ela dizia querer assistir, mas depois mudou de ideia. Então ficou combinado que ela só iria ser chamada depois de que o Davi nascesse. Também combinamos que ela ficaria na casa da minha prima se eu precisasse ir ao hospital.

Por volta das 38 semanas, comecei a sentir cólicas e logo depois vieram contrações doloridas. Falei pra Cris, ela disse que era o meu corpo se preparando. Não estava ansiosa e nem com pressa pra entrar em trabalho de parto. Tentei aproveitar bastante minhas últimas semanas grávida. Saímos bastante e curtimos nossos últimos momentos como uma família de três pessoas!!

A data prevista do parto chegou, dia 14 de Março. Logo teríamos a virada da lua. Minhas contrações vinham sempre à noite, depois que a Júlia dormia, mas vinham e passavam. Falei com a Raquel, pois o Edson estava super ansioso. Ela disse pra ficarmos calmos, pois, quando fosse trabalho de parto, ela estaria conosco!!

No dia 19 teríamos consulta com a nossa Obstetra. Eu não estava muito animada, pois não queria nem ao menos conversar sobre uma possível indução. Ela não estava nos meus planos. Eu queria que o meu corpo trabalhasse sozinho. Eu precisava disso, precisava saber que era capaz de trazer meu filho ao mundo.

E assim aconteceu. Chegou o dia 18 de março, acordei e senti algumas contrações fracas, mas passei bem durante o dia todo. A Júlia dormiu lá pelas 21h. E como num passe de mágica, quando ela dormiu, as contrações voltaram. Fomos para sala e fui ler sobre parto no computador. As contrações continuavam e eu comecei a marcar no celular. Mas não falei nada para o Edson, pois sei que ele ficaria ansioso e talvez nem fosse o momento ainda.

Decidi ir dormir, pois nos outros dias elas passavam quando eu dormia. Fui pra cama, mas as contrações não me deixaram dormir. Mandei mensagem pra Raquel com o tempo das contrações. Eu marcava tudo em um aplicativo no celular. Ela me perguntou que nota eu daria para a dor, de 1 a 10, eu disse 5, mas não sabia dizer se era forte ou não. Ela me recomendou ir para o chuveiro, ficar uns trinta minutos, e ver se passava. Fui pro banho e avisei o Edson, que ficou super preocupado e já queria ligar para a Raquel. Eu disse que era pra esperar. Continuamos a contar o intervalo das contrações e vi que não iam passar. Estavam cada vez mais fortes e mais frequentes.
O Edson ligou pra Raquel e ela disse que iria pegar suas coisas e já vinha.

Nessa hora me dei conta de que o meu tão sonhado dia tinha chegado. A partir daí, as contrações ficaram muito doloridas e sem muita pausa para descanso. Eu achava que estava doendo, mal sabia o que era dor de verdade!!!

Não consigo lembrar da sequência dos fatos, pois, depois que saí do chuveiro, entrei de vez na partolândia. O Edson colocou a Ju no outro quarto, ela estava em nossa cama. Já tínhamos deixado uma cama arrumada para ela, também já havia conversado com ela sobre isso. Ela estava muito tranquila com tudo. Eu torcia pra que o Davi chegasse antes dela acordar. Mas o meu lado realista me dizia que ele podia demorar bastante ainda. Eu imaginava que ele nasceria depois do meio dia. Até pedi ao Edson para ficar calmo, porque ia demorar muito ainda! Ele já queria encher a piscina…

Depois que a Raquel chegou, a Ju acordou. O Edson foi lá, e ela queria saber quem estava ali. Ele explicou, ela demorou pra voltar a dormir, mas dormiu e só acordou depois que o Davi nasceu.

Lembro que a Raquel me perguntou se tinha os ingredientes pra fazer um chá, eu disse que sim e ela foi fazer. Eu não conseguia sair da bola de pilates, as contrações estavam doloridas e frequentes. O Edson estava com a Júlia e eu fiquei pensando que a Raquel não ia achar nada na cozinha, mas achou e me trouxe o chá!! O objetivo era aquecer o meu corpo. Então fiquei na bola com cobertor e tomava goles do chá.

Quando as contrações vinham, ela massageava minhas costas, era uma delícia! Ajudava muito. As dores foram piorando e ela tentava me animar, dizia para deixar a dor vir, não lutar contra ela, imaginar o bebê descendo. Não era muito fácil, pois doía muito. Na hora, ficava pensando o que eu faria sem ela, o quanto seria horrível estar em um hospital, e fiquei com pena das mulheres que passam por isso sem um apoio e um ambiente acolhedor.

A Raquel sugeriu que eu tentasse dançar e rebolar, mas não consegui. Tentei acocorar, mas foi impossível. Queria tanto conseguir ser mais ativa, mas não dava. A dor era demais e muito frequente.

Tinha vontade de perguntar como estava evoluindo, mas sabia que era melhor não saber! Confiava nela e isso era o que importava. Lembro que em algum momento olhei o celular na cama e vi que já eram seis horas. Fiquei admirada de como tinha passado rápido, mas, ao mesmo tempo, fiquei com medo, pois sabia que podia demorar muito ainda. E doía tantoooooo!

Tocava uma música suave, eu bebia água e gatorade, também tentei comer pão, mas não consegui. Lembro do tampão ter saído, mas também não sei quando isso aconteceu, só sei que me animou bastante!!

A Raquel nos sugeriu uma posição para que eu pudesse descansar um pouco. O Edson sentou na cama e ficou encostado na parede, eu fiquei apoiada nele e em vários travesseiros. As contrações vinham bem próximas e doíam bastante. Parece mentira, mas eu conseguia tirar uns cochilos nos intervalos, até sonhei!

Depois de um tempo, eu senti algo saindo, o tampão já tinha ido, então achei que fosse a bolsa que tivesse estourado. A Raquel pediu para ver, era sangue. Ela disse que era normal e para não ficarmos preocupados. Me deu vontade de ir ao banheiro, veio uma força estranha quando sentei no vaso. Eu disse para ela que estava com vontade de fazer força. Sabia que isso poderia não ser um bom sinal, pois a Cris, nossa parteira, não tinha chegado ainda.

A Raquel mandava mensagem pelo celular e imaginei que era para Cris. Entrei um pouco embaio do chuveiro, mas não foi legal. A Raquel me explicou que o sangue indicava que tinha dilatado rápido e que estávamos no final. Nem acreditei, mas eu queria a Cris! Sei que a Raquel também!!

Saí do banho e fiquei na cama. o Edson e a Raquel enchiam a piscina. Eu estava bem “grogue”, mas foi engraçado ver o desespero deles. Imaginávamos que ia demorar muito ainda, e a piscina não estava cheia, apenas montada no quarto. Eles ferveram água, pegaram do chuveiro. E quando vinha uma contração, ela corria e me dava a mão. Doía muito, mas suas mãos de fada me ajudavam bastante. Não sei o que eu teria feito sem elas. A vontade de fazer força continuava, mas não muito forte. A Raquel dizia que a Cris estava chegando, para eu respirar!

A Cris chegou com o sorriso mais encantador do mundo, me chama de parideira, toda feliz! Isso me fez muito bem! Pois eu vi que estava tudo certo. Ela pediu para o Edson pegar as coisas dela no carro e fez o exame de toque, entre uma contração e outra. Não lembro bem, mas acho que estava com sete, quase oito, e ela disse algo sobre rebordo. Fiquei feliz, mas sabia que ainda poderia demorar horas.

Terminaram de encher a piscina e eu entrei. Pedi o biquíni, que já tinha deixado no banheiro, mas, na hora, não quis saber de biquini nenhum. A Cris me disse as melhores palavras que alguém poderia dizer para uma mulher em trabalho de parto: “faça o que o seu corpo pedir”.

Era tudo o que eu precisava ouvir.

Elas foram arrumar as coisas e o Edson ficou jogando água na minha barriga. Me deu uma vontade louca de fazer força, algo que vem lá de dentro, que não dá pra segurar. Na primeira, eu até tentei ir com calma, mas depois deixei o meu corpo comandar tudo. E foi muito rápido e intenso. Não sentia dor, apenas muita vontade de fazer força. Aí eu gritava junto, não dava pra controlar, parecia que eu ia me abrir toda. Foi muito rápido! Senti um ardor enorme e sabia que era o círculo de fogo, que eu tinha tanto lido e agora sentia, mas também foi muito rápido, e a cabeça saiu.

O Edson disse que estava nascendo. A Cris veio, perguntou se ele queria segurar, mas ele ficou com receio, também fiquei, e ela pegou o nosso bebê, quando ele terminou de sair, às 7h e 09 minutos. Aí ela disse que a bolsa estava íntegra, ele nasceu empelicado e com o cordão enrolado nos dois braços. Ela tirou e me entregou o bebê, que chorou forte. Tão branco e bravo, como é até hoje. Ficamos um pouco na água, mas eu quis sair. Então, a Cris disse que o Davi continuaria grudado em mim, ela me ajudou a segurá-lo no peito e o Edson me levantou. Fui para cama com ele, que não desgrudou de mim em nenhum momento, do jeito que deve ser.

Eu me sentia nas nuvens, olhava minha barriga sem corte e sorria. somente eu sabia o quanto era maravilhoso olhar para ela! Sentia-me em um sonho, a ficha não caía! Acho que não caiu até hoje. Foi tudo muito lindo e mágico, para curar todas as feridas. Eu consegui!

Mais uma vez eu renascia como mãe e como mulher. Foi nesse renascimento que eu tive a certeza do quanto podemos lutar pelos nossos sonhos.

A Ana Cris logo chegou também, deu uma olhada em nós, e, enquanto esperávamos a placenta sair, elas foram tomar café.

Em um parto domiciliar, podemos ter Obstetriz e Pediatra ou duas Obstetrizes, que foi a nossa opção.

Logo a Júlia acordou e chamou o Edson. Ele foi e contou que o Davi tinha nascido. Ela veio e ficou encantada, queria dar todos os brinquedos para ele!

O Davi mamou super bem, a placenta saiu, o Edson cortou o cordão, sob o olhar curioso da Ju.
Elas foram ver se tinha alguma laceração e pra ficar ainda mais perfeito, não tinha nada. Elas até brincaram, dizendo que se eu fosse em algum médico, jamais diriam que eu tinha acabado de parir!

A Ana Cris pesou o Davi em uma balança linda, que lembra um sling. Nos deu algumas recomendações, fez o carimbo da placenta. Depois foram embora e aqui estamos, em nossa casa, de onde não precisamos sair.

Meu relato faz parte de um sonho, assim como o meu parto. Sonhei com o dia em que iria escrever, não imaginava que seria tudo tão perfeito o quanto foi. Espero que ele ajude outras pessoas, assim como os milhares de relatos que eu li e me ajudaram.

Meu objetivo não é, em momento algum, criticar quem decide dar outro tipo de nascimento aos filhos, mas sim mostrar que somos donas do nosso corpo e que tudo só depende de nós.

Antes que pensem ou falem, o tipo de nascimento não muda o amor de uma mãe, amo os meus dois filhos. Mas sim, eu gostaria de ter permitido que a Júlia nascesse naturalmente. Eu e ela merecíamos isso.

Agradecimentos:

Primeiramente agradeço a Deus, pois sei que ele comanda tudo, mas sei também que ele deixa muitas coisas por nossa conta e somos nós quem devemos correr atrás dos nossos sonhos e objetivos.

Agradeço ao Edson, que sempre esteve ao meu lado, me apoiou desde o início e principalmente pelo apoio durante o parto e depois dele. Foi muito bom ver o quanto ele ficou feliz e realizado com o nascimento do Davi em nossa casa. Não cansava de dizer o quanto foi bom ter participado de tudo.

Agradeço à Dra Andrea, que acompanhou nossa trajetória, sempre calma e amiga.

À nossa parteira linda, Cris Balzano, que nos recebeu em sua casa, acompanhou nosso trajeto de um parto hospitalar, até o domiciliar. Sempre calma e confiante. Impossível esquecer do seu sorriso quando chegou em casa, como foi bom pra mim e me deu muita tranquilidade.

A minha doula, Raquel Oliva, não sei o que seria de mim sem as mãos dela, suas palavras, a voz suave, o chá delicioso, todo o carinho que me deu. Se eu for listar tudo, vou ficar o dia todo escrevendo.

À Ana Cris, que me ajudou bem antes da gravidez com os seus textos e com seu jeito de nos mostrar a realidade, que muitas vezes não queremos ver. Pelos e-mails trocados, pelo carinho que deu aos meus filhos.

A minha família, por me respeitar em minha maternagem.

Aos meus filhos, que aceitaram a missão de estar aqui e por me ensinarem, todos os dias, a ser uma pessoa melhor.

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