A amamentação desde as primeiras horas de vida

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O aleitamento materno até uma hora após o nascimento é “primeira vacina” do bebê, afirma Unicef

Com informações da Unicef

Neste segundo semestre de 2016, durante a Semana Mundial da Amamentação, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou a informação de que 77 milhões dos recém-nascidos no mundo – ou 1 em cada 2 – não estão sendo amamentados na primeira hora de nascimento. Isso significa que 50% dos bebês estão sendo privados de nutrientes e anticorpos essenciais para a sua saúde e até mesmo expostos a um maior risco de morte. E neste caso cada hora faz a diferença.

Segundo apurou a agência internacional, atrasar a amamentação em 2 e até 23 horas após o nascimento aumenta em 40% os riscos de morte nos primeiros 28 dias de vida. Adiá-la por 24 horas ou mais aumenta esse risco para 80%. “A amamentação precoce pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, afirmou France Bégin, assessora especial de nutrição da Unicef. “Se todos os bebês fossem alimentados por leite materno do momento do nascimento até os seis meses de idade, aproximadamente 80 mil vidas seriam salvas todo ano”, ela acrescentou.

Isso porque o leite materno é uma primeira vacina para os bebês: a primeira e a melhor proteção que eles podem ter contra doenças. Colocá-los no peito também os provêm com os nutrientes e anticorpos essenciais e o contato com a pele da mãe, que os protege contra infecções e outras moléstias. O atraso neste primeiro contato crucial não apenas expõe o bebê a um maior risco, mas limita a quantidade de leite produzida e reduz as chances de amamentação exclusiva pelo peito.

Para o médico e pesquisador francês Michel Odent, o bebê deve começar a mamar na meia-hora após o nascimento. “É quando sabe instintivamente o que fazer. Se ele começar mais tarde, vai ter que aprender”, afirma. A seu ver, precisamos da ciência para redescobrir, por exemplo, que a mãe é a primeira pessoa com quem o bebê precisa estar, pois, como acontece com os outros mamíferos, além dos benefícios fisiológicos, cria-se um apego imediatamente após o nascimento. “Graças à ciência moderna, sabemos que o bebê tem que ficar com a sua mãe quando nasce, que o leite materno é a melhor fonte de alimento e que a mãe é a melhor incubadora que existe”, ressalta.

Embora as informações mostrem que a amamentação precoce e a amamentação de modo geral têm um papel essencial em manter os bebês saudáveis, o progresso em fazer com que mais recém-nascidos sejam amamentados na primeira hora de vida tem decrescido nos últimos 15 anos. Na África Subsaariana, onde as taxas de mortalidade entre crianças com menos de 5 anos são as maiores do mundo, a amamentação precoce cresceu apenas 10% desde 2000 nas regiões leste e sul e permaneceram iguais nas regiões oeste e central. Mesmo na África do Sul, onde os índices de amamentação precoce triplicaram em 15 anos, de 16% em 2000 para 45% em 2015, o aumento está longe do ideal: 21 milhões de recém-nascidos ainda esperam muito tempo antes de serem alimentados no peito.

Um dos maiores motivos para isso não estar sendo feito, identificado pela Unicef, é que as mulheres não estão tendo a ajuda necessária para começar a amamentar imediatamente após o nascimento – mesmo que 75% delas contem com assistência especializada para o parto. A pesquisa diz, inclusive, que, no Oriente Médio, no Norte da África e no Sul da Ásia, mulheres que dão à luz com uma equipe especializada estão menos propensas a amamentar na primeira hora de vida em comparação às mulheres que dão à luz com equipes leigas ou parentes.

Práticas culturais também podem interferir de maneira a privar os bebês da amamentação. Na Índia, algumas mulheres são ensinadas a descartar o colostro – espécie de leite secretado nos primeiros dias após o parto. Na Nigéria, alguns recém-nascidos recebem água ou chá em vez de leite materno, expondo-os ao risco de diarreia ou má-nutrição. Países em outras partes do mundo são inundados com o marketing das fórmulas, que levou à queda das taxas de aleitamento materno.

Em muitos locais, em vez de iniciar as mães na prática da amamentação colocando imediatamente o bebê no peito da mãe, as equipes tiram o bebê para dar à mãe tempo para descansar ou para alimentar o recém-nascido com outros insumos. Quase metade dos recém-nascidos ingerem esses líquidos nos três primeiros dias de vida. No entanto, mesmo nos casos de cesariana, com o apoio adequado, é possível levar o bebê ao peito na primeira hora de vida.

“Quando os bebês recebem alternativas menos nutritivas do que o leite materno, eles mamam menos frequentemente, tornando mais difícil para as mães começarem e continuarem a amamentar”, diz a agência. Além disso, amamentar nos primeiros meses de vida do bebê e por mais tempo é uma prática comprovadamente boa para a saúde da criança e também das mães. “Globalmente, apenas 43% das crianças com menos de seis meses de idade são exclusivamente amamentadas”, acrescenta o comunicado da Unicef.

Ainda há muitas barreiras para a amamentação que precisam ser extintas para que as mulheres que desejam amamentar possam fazê-lo da melhor maneira possível. Mas, embora pareça óbvio, e não seja, algo importante a fazer para atender melhor a essas milhares de mães e bebês é assegurar o apoio em cada início de amamentação. A partir do que as pesquisas nos mostram sobre a importância destas horas iniciais, temos inúmeros motivos para fazer o melhor possível para melhorar essas taxas mundialmente – especialmente quando as soluções custam tão pouco!

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