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De maneira simplificada, o Plano de Parto é um documento em que a gestante registra suas vontades e preferências para cada etapa do nascimento do bebê. A elaboração de um plano de parto é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), amplamente difundida nos Estados Unidos desde a década de 80 e importante para contribuir com a pesquisa e reflexão sobre o tipo de parto que a mulher deseja.

O plano de parto pode ser feito em forma de carta corrida ou no formato de lista, com as preferências da gestante/do casal em relação ao atendimento do parto, seja ele hospitalar ou domiciliar. O mais importante dessa prática é reafirmar para a mulher que ela tem opções e escolhas sobre como gostaria de conduzir o parto.

Nome do acompanhante, da doula e de toda a equipe, procedimentos médicos aos quais a gestante não deseja se submeter sem aviso prévio, indicações sobre episiotomia, tricotomia, lavagem intestinal e jejum, posições que gostaria de adotar durante o trabalho de parto, entre outros, são os itens que as mães mais listam em seus planos de parto.

Cada mulher, parto e gestação são únicos. Portanto, o plano de parto também deve ser único, visto que o que é agradável para uma mulher pode não ser para outra. É comum que a gestante se sinta perdida entre tantas opções e opiniões, por isso escrever um plano de parto ajuda a organizar ideias, estabelecer prioridades e determinar preferências. Também pode ser útil assinalar questões que ainda não foram totalmente esclarecidas para a gestante. Um médico ou uma doula poderão esclarecer as dúvidas, ajudando a mulher a fazer suas escolhas para um parto tranquilo.

Mesmo que bem intencionados, muitos médicos e outros profissionais da saúde adotam práticas que não têm respaldo em evidências científicas, mas continuam sendo realizadas rotineiramente na assistência ao parto no Brasil apenas por serem parte de protocolos hospitalares obsoletos. Com o plano de parto, os pais se tornam uma voz ativa nas decisões que envolvem o bem estar da gestante e do bebê, com exceção dos casos em que há alguma emergência médica que impeça sua participação consciente. De forma clara, benefícios e riscos de cada procedimento médico devem ser explicados para a mãe e discutidos previamente nas consultas, além das possíveis intercorrências que podem ocorrer durante o parto.

Para escrever o plano de parto, a gestante pode se basear em modelos existentes, que abrangem orientações para a assistência tanto do parto normal quanto para o caso da necessidade da cirurgia cesariana. Também é possível criar um plano de parto próprio, elegendo prioridades e desejos e alertando para procedimentos ou atitudes que não deseja.

Com a ajuda do companheiro e da equipe obstétrica (médico, doula, obstetriz, etc), o plano de parto vai sendo elaborado aos poucos e, quando pronto, entregado a todos os profissionais da equipe. Uma via também pode ser entregado ao hospital escolhido (no caso de parto hospitalar), e uma via, de preferência protocolada, deverá ficar com a mãe.

> VEJA AQUI UM MODELO SIMPLES DE PLANO DE PARTO

Caso seu plano de parto não seja aceito pela instituição ou pela equipe médica, o ideal é que você encontre um local e profissionais que acolham e respeitem suas decisões. Se isso não for possível por algum motivo, você pode recorrer à justiça, encaminhando o plano de parto via notificação extrajudicial ou contratando um advogado para interpor medida preventiva para a aceitação do mesmo. Você também poderá procurar a Defensoria Pública. O órgão, em São Paulo, auxilia as gestantes que passam por essa situação, além de lidar com casos de violência obstétrica.

De forma resumida, estes são os itens indispensáveis de um plano de parto:

– Onde deverá acontecer
– Quem assistirá a parturiente (médico, parteira, enfermeira)
– Quem estará presente (parceiro, amigos, familiares, doula, terapeuta)
– Considerações sobre monitoramentos, métodos de indução de parto, medicamentos para manejo da dor e sobre episiotomia (corte no períneo – grupo de músculos pélvicos – para ampliar a abertura vaginal)
– Como se pretende gerenciar o parto: liberdade de movimento, alimentação, ingestão de líquidos, banhos, massagens, etc;
– Utilização de materiais como bola, aparelhos de som, óleos essenciais, ou o que se deseje levar para o quarto
– Como deve ser o tratamento do bebê após o parto (contato, amamentação, procedimentos iniciais e vacinação)

O exercício de elaboração do plano de parto, além de documentar todas as orientações da gestante, fará com que ela reflita profundamente sobre seus desejos e dúvidas , fazendo-a sentir-se mais segura no momento decisivo.

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