Amamentação em livre oferta

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Um dos grandes desafios da maternidade é a amamentação e tudo que está relacionado a ela. Fonte de muita angústia, o aleitamento materno hoje é cercado de regras e polêmicas, sendo a principal polarização o embate entre livre demanda e rotina estrutura (o clássico de 3 em 3 horas).

Tanto uma vertente quanto a outra defendem que seu método é o melhor para garantir o fornecimento do leite materno ao bebé e com isso assegurar todos os benefícios, cientificamente comprovados, que ele proporciona.

A favor do grupo da livre demanda está o fato, inconteste, de que a produção de leite é comandada pela sucção do bebê e, portanto, quanto mais a criança mamar, mais leite será produzido. Em benefício da rotina estrutura está o fato de que um dos fatores que reduz a produção de leite é o cansaço materno (e ter uma criança pendurada no peito o dia todo pode ser extenuante).

Contra o primeiro grupo pesa o fato que ninguém sabe ao certo quando o bebê está com fome e/ou sede, sendo muitas vezes ser necessidade de aconchego, e que pode ser fornecido de outras formas. Já a rotina estruturada deixa de mãos atadas uma mãe com um rebento aos prantos, sem a possibilidade de acalmar o filho no calor do seio (pelo menos não sem culpa), simplesmente porque não deu a hora.

Diante desse impasse, a solução é amamentar em livre oferta, ou seja, a mãe decide quando e como amamentar.
Se ela se sente mais segura de amamentar sempre que o bebê chora (ou só resmunga), ela amamenta.
Se ela prefere amamentar em intervalos regulares pré estabelecidos, ela amamenta.
Se ela prefere amamentar sempre que ele “pede” mas hoje precisa de 2 horas para relaxar, fazendo qualquer outra coisa, ok.
Se ela prefere intervalos regulares mas hoje está cansada e sem paciência para tentar acalmado de outra forma, ok.

Veja, na amamentação em livre oferta a decisão é 100% da mãe. Ela e somente ela sabe o que lhe custa mais, o que ela pode ou não pode oferecer.

Alguns dirão que livre demanda é assim, mas não é. Livre demanda o choro do bebê determina a amamentação, não o desejo da mãe. Da mesma forma na rotina estrutura a decisão está no relógio, num claro deslocamento daquela que de fato tem o poder de dar ou não o peito.

Garantir o aleitamento só é possível quanto a mulher confia em si e em seu corpo, pois é a falta de confiança na sua capacidade de nutrir que leva uma mãe a introduzir complemento e isso sim leva ao desmame.

 

Autora: Ana Carolina Bueno

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