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Delivery Room

A maioria das gestações são saudáveis, assim como a maioria dos partos tem condições de acontecer naturalmente, sem intercorrências e sem necessidade de interferências. 

Entretanto, quando um parto não tem início espontâneo ou não evolui de maneira fisiológica, pode ser necessária a realização de  algum tipo de intervenção clínica para corrigir a dinâmica ou evitar riscos adicionais para o binômio mãe-bebê.

Em outros casos, não muito raros no Brasil, algumas intervenções são realizadas de maneira rotineira tanto para apressar o trabalho de parto quanto para facilitar o trabalho do medico ou instituição assistente e até mesmo como um reflexo da cultura obstétrica (seus sistema de crenças e rituais).

Intervenções são ações externas, que geram reações do organismo. Muitas vezes uma intervenção causa efeitos colaterais que são compensados com outras intervenções, uma reação em cadeia que aumenta os riscos e as chances de um parto instrumental ou cirúrgico. Toda intervenção carrega riscos em si. Quando realizadas pautadas no raciocínio clinico e cientifico, tendem a evitar riscos. Quando realizadas por conveniência ou falta de sensibilidade clinica, tendem a acrescentá-los.

Pensemos em uma situação bastante comum como a analgesia de parto. “Tomar ou não tomar, eis a questão”, não se trata de uma questão de preferir um parto com ou sem dor, mas sobre os possíveis efeitos que você esta disposta a assumir com esta decisão. Quando e realizada uma analgesia durante o trabalho de parto, a parturiente perde parte da percepção motora e e recomendado que se monitore o bebê pelos próximos minutos. Isso significa que ela passará mais tempo deitada sobre a cama do hospital, com mobilidade reduzida, que também pode atrapalhar o posicionamento e decida do bebê. A anestesia também pode diminuir a dinâmica de contrações uterinas e, neste caso, ser indicado o rompimento artificial das membranas e/ou a administração de ocitocina sintética. Uma vez administrada a ocitocina sintética (o famoso “sorinho”), mais uma vez sua mobilidade é reduzida, pois o monitoramento deve acontecer com mais freqüência. Este cenário todo pode acarretar em um parto mais longo, em alterações da freqüência cardíaca do bebê, assim como distócia de rotação (posicionamento e descida do bebe na pélvis) ou outras situações que complicam-se devido as intervenções que as sucederam.

As intervenções tem o seu lugar: são extremamente importantes e salvam muitas vidas quando complicações acontecem (e por isso, agradecemos os avanços da ciência, da medicina e da tecnologia), mas quando desnecessárias podem arruinar um parto. Por isso, e extremamente importante que as mulheres saibam sobre seus corpos, sobre seus partos e que a tomada de decisões acerca do nascimento sejam compartilhadas entre equipe e família, assim como o esclarecimento de riscos e benefícios de cada intervenção proposta. Quanto menos interferimos na natureza do parto, maiores são as chances de melhores desfechos.

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