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por Janaína Claro, consultora de Babywearing

O bebê nasceu e você ganhou da sua amiga um pano enorme chamado wrap sling, que ela não usou muito pois “não se adaptou”. Sem nenhuma ideia do que fazer, você procura por toda a internet vídeos que te ajudem a colocar o bebê naquele grande pedaço de tecido. Assiste, amarra no corpo, pega ao bebê, coloca e percebe que o bebê, mesmo com a mãe sem muito jeito, ficou quietinho, dormiu e relaxou. Ótimo! Por que será que a amiga não se adaptou se ele é tão bom e o bebê fica tranquilo?

O tempo vai passando e seu bebê crescendo e aquele carregar gostoso de antes não anda tão bacana, o bebê vai se incomodando quando você o coloca no pano e então começa a achar que também não está funcionando com você, coloca o bebê na altura do beijinho (conforme viu no vídeo), mas depois de algum tempo o bebê desceu e parece mal posicionado. O que será que deu errado, então?

Carregar um bebê amarrado ao corpo em um pano é milenar, pensemos nos países asiáticos, andinos e africanos onde carregar o bebê é tradição, uma prática ancestral. No ocidente, criou-se a palavra advinda do inglês babywearing, que em uma tradução literal significaria vestir-se com o bebê, em português podemos usar a expressão “carregar o bebê no pano”.

Mas, em que pano? Podemos usar qualquer tecido para carregar um bebê? Vamos falar de tecidos! [i]

O tecido é um material com fios entrelaçados (fibras) que podem ser naturais, sintéticos ou artificiais. A trama que os fios (e os próprios fios) fazem no tecido é o que diferencia um linho de uma viscose, de uma malha e de uma sarja.

As fibras naturais são provenientes de animais, vegetais ou minerais, linho, seda, algodão, bambu, carvão, etc. As fibras sintéticas são produzidas em laboratório a partir de produtos químicos como o poliéster, poliamida e acrílico. As fibras artificiais são produzidas a partir de um derivado natural da celulose como a viscose ou o acetato.

Os tecidos são divididos ainda entre tecidos planos, malhas e não tecidos. Tecidos planos são o resultado de dois conjuntos de fios que se cruzam e formam um ângulo reto, os dispostos na horizontal são os chamados fios de trama e os da vertical são os fios de urdume. Já os fios da malha se entrelaçam com um tricô e o não tecido é uma estrutura plana, flexível e porosa surgidos por processos químicos, mecânicos ou térmicos.

O tecido de malha, aquele que você ganhou da amiga, o da sua camiseta preferida, por ser traçado como um tricô é maleável e possui memória (deforma). Quando você empresta sua camiseta P para sua amiga G ela não volta como foi. Logo, para carregadores de bebês ele terá uma vida útil menos longa, pois pode deformar com facilidade, não mantendo o conforto e sustentação ao longo do crescimento do bebê. É por isso que a sua amiga não se adaptou ao tecido e você está encontrando dificuldade de manter o bebê no sling. O peso do bebê e o uso contínuo do tecido está fazendo com que as tramas do tecido fiquem abertas.

Já os tecidos planos de fios naturais (algodão) como a sarja cruzada, a sarja diamante, sarja zigue zague, são os tecidos ideais para os carregadores de bebês. São tecidos que não encontramos em lojas de tecidos, mas feitos exclusivamente para carregar bebês. Desenvolvidos inicialmente para carregar bebês nos anos 70 pela empresa alemã Didymos, esses tecidos de sarja não possuem memória, não deformam nem na horizontal nem na vertical e possuem o conforto e ajuste nas diagonais. Por serem feitos de fibras naturais, deixam a pele “respirar” e precisa-se de menos pano para dar a sustentação de forma confortável. Com o tempo eles ficam ainda mais macios e gostosos de usar.

A Jenipano é primeira empresa brasileira a produzir sarja cruzada. Um produto nacional que você pode encontrar na loja da Comparto.

Existem inúmeras amarrações, sempre feitas com o bebê ao corpo, pois aquela pré-amarrada que se faz com o tecido de malha faz com que haja necessidade de mais tecido sobre o bebê para sustenta-lo.

Com um bom carregador, escolha uma assessora ou participe de oficinas de slings que te ajudarão a usar e praticar com seu pano, conhecer outras mães e pais carregadores e passar pelo puerpério de forma mais tranquila.

[i] Utilizamos o texto da Tatiane Serra Dutra Gianetti, proprietária da Mammy Mammy, disponível no grupo Bem-Carregar Bebê Brasil do Facebook.

 

 

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