Dar colo e o conceito de continuum

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Um bebê que chora sem motivo evidente, como fome, dor ou fralda suja, está pedindo aconchego. Muitas mães são orientadas a ignorar o instinto de correr para acalentar seu filho, para evitar que a criança fique cheia de vontades. O que muita gente não sabe é que a fase do colo – que vai do nascimento até o momento que o bebê pode se locomover sozinho, afastando-se do cuidador e retornando quando sentir vontade – é essencial ao bom desenvolvimento extrauterino físico, mental e emocional.

Ao estudar tribos indígenas sul-americanas, a antropóloga americana Jean Liedloff observou que os bebês estavam em constante contato físico com seus cuidadores. Homens, mulheres e crianças mais velhas carregavam o bebê junto ao corpo enquanto realizavam suas atividades normais: correr, andar, cantar, brincar. Esses bebês nunca apresentavam cólicas ou ficavam agitados sem motivo. Também cresciam com excelente comportamento, ajudando até nas atividades do lar com apenas quatro anos.

De acordo com suas observações, Liedloff criou o conceito de continuum, que diz que para atingirem o seu desenvolvimento ideal, as crianças – principalmente nos primeiros meses de vida – devem ter experiências que fizeram parte da adaptação da espécie humana, como dormir em proximidade com os pais, amamentar em livre demanda, ser atendidos rapidamente ao chorar (sem terem suas necessidades invalidadas) e estar constantemente em contato físico e/ou nos braços de seus cuidadores. Segundo a antropóloga, crianças cujas necessidades do continuum forem preenchidas crescerão com maior auto estima e mais independência.

Outros estudiosos concordam com a observação feita pela antropóloga, ressaltando que o contato próximo entre pais e bebê traz benefícios facilmente visíveis, como relaxamento, alívio de cólicas, estimulação dos sentidos da visão e audição, impulsão dos movimentos intestinais da criança, além do carinho e amor que seguem o contato. O colo também torna o bebê um participante, ainda que passivo, do mundo ao seu redor.

Perto dos pais, os bebês se sentem em casa, recebendo conforto, segurança e tranquilidade pelo toque. Tão importante quanto a amamentação, o colo dá a atenção que o bebê precisa. Seja a mãe ou o pai que o carreguem, o importante é o olhar amoroso que a criança sente no momento.

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