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Há alguns dias decidi elaborar as estatísticas dos mais de 250 partos que já acompanhei como doula. Minha surpresa foi enorme ao constatar que metade deles aconteceram de forma natural, sem qualquer tipo de intervenção. Isso me fez refletir sobre a importância da atuação das Doulas para a mudança do cenário obstétrico brasileiro.

Uma das necessidades mais importantes da mulher em trabalho de parto é o apoio contínuo, ou seja, que alguém a acompanhe durante todo o processo, do começo ao fim. Enquanto enfermeiras estão ocupadas com os cuidados de várias parturientes ao mesmo tempo, com a documentação dos procedimentos e protocolos, entre outras responsabilidades técnicas, a doula mantém-se presente durante todo o processo – sua única tarefa é estar ao lado, prestando apoio dedicado a uma única parturiente.

Em 2012, Hodnett et al. publicou uma atualização da revisão de estudos pela Biblioteca Cochrane sobre o suporte contínuo durante o trabalho de parto. Esta revisão incluiu os resultados de 22 estudos, com a participação de mais de 15.000 mulheres, que foram divididas em dois grupos randomizados para receber apoio continuo ou “cuidado habitual”. De modo geral, mulheres que tiveram o suporte continuo eram mais propensas a ter partos vaginais espontâneos e menos propensas a usar qualquer tipo de medicação para a dor, partos instrumentais com o uso de vacum ou fórceps e cirurgias cesarianas. Seus partos também tiveram duração média menor em aproximadamente 40 minutos e seus bebês menos propensos a baixas notas de apgar.

Os pesquisadores também quiseram saber se o tipo de suporte faria alguma diferença. Se havia diferenças significastes entre o apoio de uma parteira, doula, parceiro ou familiar. Eles observaram a diferença do suporte  em 6 quesitos: uso de medicação, uso de ocitocina, parto espontâneo, cesarianas, admissão em UTI após nascimento e sentimentos negativos acerca do parto.

Para a maioria dos indicadores, os melhores resultados aconteceram quando o suporte continuo foi provido por uma doula – alguém que não fazia parte da equipe do hospital e não fazia parte dos relacionamentos pessoais da parturiente. Nestes casos, quando o suporte foi oferecido por uma doula, encontraram os seguintes resultados:

  • 31% menos uso de ocitocina*
  • 28% menos risco de uma cesariana*
  • 12% aumento de partos vaginais espontâneos* 
  • 9% menos analgesia
  • 14% menos bebês que necessitaram de cuidados especiais
  • 34% menos chances de uma experiencia negativa acerca do parto* 

Para os 4 resultados marcados com *, os resultados com a presença da doula foram melhores do que de outros tipos de suporte. Para os outros resultados não houve diferenças significativas de acordo com quem prestou o suporte.

No Brasil também começamos a enxergar os bons resultados trazidos pela presença de uma doula. Em Blumenau, onde foi criada uma lei para garantir a presença desta acompanhante profissional, em apenas um ano, já se observa a redução do número de cesáreas. No hospital Santo Antônio, que concentra o maior número de partos da região e atende principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o índice caiu de 48% para 39% do total de partos após a lei.

Você contrataria uma doula, sabendo que sua simples presença e seu apoio contínuo pode ampliar suas chances de um parto normal, com menos intervenções? Se não, comente conosco por quê e vamos enriquecer esta reflexão!

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