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Preparando o ambiente para o parto
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O parto sempre aconteceu em ambiente doméstico e familiar até meados do século XX, período de incríveis avanços médicos e tecnológicos mas que, ao mesmo tempo, tirou a mulher de seu ambiente, levando-a para dentro dos hospitais e maternidades. Esta transformação no entendimento do parto como evento fisiológico e familiar para um evento médico mudou completamente os rumos da obstetrícia. Se, por um lado, estes avanços permitiram um pré natal mais eficiente, ampliaram as possibilidades de analgesia e desenvolveram ainda mais a técnica da cesariana, por outro, separou a mulher de seus familiares, despiu-a de suas roupas e afastou-a de práticas e tradições que a traziam conforto, intimidade e confiança até então.

Hoje, a mulher pode optar por ter um parto em sua casa, assim como pode escolher dar à luz em um hospital público ou privado, em uma clínica particular ou em uma casa de parto.

Muitas pessoas confundem o parto humanizado com parto domiciliar, o que é equivocado, já que o parto humanizado é aquele em que as decisões da mulher são respeitadas e a prática médica, baseada em evidências científicas, independentemente do local escolhido, podendo ocorrer, então, em qualquer um destes cenários.

O parto domiciliar é uma realidade no modelo de assistência de diversos países, como a Holanda, onde 40% dos partos ocorrem na casa da gestante. Uma série de estudos, como o realizado na América do Norte em 2005 e publicado no BMJ (British Medical Journal – Jornal Médico Britânico), concluíram que o parto realizado em domicílio não envolve mais riscos para as mães e seus bebês, além de apresentar baixas taxas de intervenções e alta taxa de satisfação por parte das mães. As evidências científicas disponíveis apoiam as mulheres que desejam um parto na segurança e conforto do seu próprio lar. Gestantes de baixo risco, que tiveram uma gravidez sem nenhuma intercorrência e com o pré natal em dia, estão aptas a ter um parto domiciliar. Neste caso a gestante pode ser assistida por parteiras profissionais (obstetrizes ou enfermeiras obstétricas), que estão autorizadas e qualificadas para este tipo de atendimento.

Se o desejo for por um parto hospitalar, é interessante buscar uma equipe médica e uma instituição que sigam os princípios da humanização. Grupos de apoio ao parto podem ajudar a gestante/casal a encontrar profissionais que tenham uma prática coerente e de acordo com as expectativas de cada família. Uma equipe multidisciplinar é capaz de oferecer uma assistência de qualidade, minimizando intervenções e criando um ambiente acolhedor para o nascimento. Mesmo dentro de um quarto de hospital, a mulher poderá ter liberdade para escolher desde a posição que deseja adotar, até quais cuidados gostaria que fossem dados ao recém nascido. Se for necessário algum tipo de intervenção, ela é dialogada com a gestante, respeitando seus desejos dentro dos limites de segurança clínica.

Quando necessária uma cirurgia cesariana, a sala também poder ser transformada em um ambiente mais acolhedor, com controle de temperatura, luz e ruído. Permitir o contato pele a pele imediato também faz parte do atendimento proposto pelo paradigma da humanização.

As casas de parto, apesar de ainda raras no Brasil, são uma outra opção para a gestante. Nesses espaços, o típico quarto hospitalar dá lugar a ambientes planejados, com temperatura adequada, privacidade, luminosidade confortável e acessórios para manejo da dor, como a bola de pilates, banqueta de cócoras, entre outros recursos. Instauradas no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1999, as casas de parto se assemelham a residências e atendem apenas gestantes de risco habitual (baixo risco), que são assistidas por enfermeiras obstetras ou obstetrizes. Além do acompanhante garantido por lei, as gestantes que fazem a opção por uma casa de parto têm a sua disposição um sistema conveniado à maternidade local para os casos em que são necessárias transferências para maiores intervenções.

Seja qual for o local, o mais importante é que o ambiente tenha sido escolhido pela gestante, onde ela se sinta mais segura e acolhida, além de ter a sua disposição uma equipe competente e condições que garantam sua privacidade, conforto e respeito.

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