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Há quem acredite que exista uma posição “errada” do bebê na barriga da mãe que torna a cesárea uma obrigatoriedade. Embora em alguns casos isso seja verdade, o mais comum é que a criança mude de postura até o momento do nascimento, possibilitando o parto normal.

Durante a gestação, o bebê pode assumir diversas posições. Por isso, só é possível determinar a necessidade da cesárea depois que a mulher entra em trabalho de parto. Desta forma, não faz sentido previsões antecipadas quanto ao posicionamento do bebê. Nesse momento, se o bebê não estiver em uma postura favorável ao parto natural a intervenção se torna necessária.

É unânime que a posição cefálica, aquela em que o bebê está de cabeça para baixo, é a mais favorável para o nascimento por parto normal. Também é a mais comum – em mais de 90% dos casos o bebê se encontra nessa posição até a hora do nascimento. Outro ponto importante é a flexão da cabeça do bebê, que algumas vezes dificulta a entrada do bebê na pélvis e pode requerer uma cesárea.

Existe um mito de que quando o bebê está sentado, na chamada posição pélvica, o nascimento tenha que ser via cirurgia cesariana. A verdade é que bebês pélvicos também podem nascer por parto normal; embora envolva maiores riscos, não é um indicativo para a cirurgia – que por sua vez, também representa riscos aumentados em relação ao parto normal.

O bebê também pode estar deitado, atravessado dentro do útero. Essa é a posição transversal. Em certas situações, o médico pode ajudar o bebê a virar para a posição cefálica, antes de a mulher entrar em trabalho de parto. Se isso não for possível, a cesárea passa a ser obrigatória e uma das poucas indicações reais para a cirurgia.

Embora seja comum um bebê ficar sentado varias vezes durante a gestação, menos de 5% dos bebês permanecem nesta posição até o momento do nascimento. São chamados de bebês pélvicos.

Vários métodos podem ser usados para ajudar um bebê a virar para a posição cefálica (de cabeça para baixo) naturalmente, como exercícios de inversão (de quatro apoios, peito no chão e bumbum para cima), nadar (pode encorajar o bebê a se mover sem o peso da gravidade), ajustes posturais da gestante que deve estar atenta ao seu alinhamento, compressas quentes aplicadas a região do púbis e fria no fundo do útero, na região do estômago (a cabeça do bebê tende a buscar o quente), moxa e acupuntura (técnicas da medicina tradicional chinesa que estimulam pontos específicos e conduzem a energia) e, quando estas técnicas não forem suficientes para virar o bebê, há uma intervenção chamada “versão cefálica externa” (VCE) que poderá ser discutida com o obstetra e realizada em torno da 38a semana de gestação.

A Dra. Andrea Campos, obstetra em São Paulo, uma das poucas profissionais que realiza a técnica na capital, explica detalhadamente o procedimento em seu site. Clique aqui para ler.

Quando nenhuma das opções resultou no posicionamento cefálico do bebê, considerar um parto pélvico e ainda uma opção válida. Parir bebês pélvicos via vaginal já não é mais considerado um perigo tão grande como já foi no passado. De fato, em 2006, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) afirmou que o parto pélvico é seguro e razoével em gestações com algumas condições específicas: gestação a terno, trabalho de parto de início espontâneo e progressão fisiológica, ultrassom e outros exames que indiquem peso e tamanho proporcionais à idade gestacional e sem anormalidades e que o obstetra tenha experiência e competência para atender a este tipo de parto.

Se a gestante atende estes critérios e tiver preferência por um parto normal, ela deverá conversar com seu obstetra para explorar todas as suas opções, assim como riscos e benefícios de cada uma para, então, decidir sobre a via de nascimento em conjunto com sua equipe.

1 Comentário

  1. Camila disse:

    Parabéns por escrever sobre esse assunto, as mamães tem que saber!!

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