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Exercer um empreendedorismo humanizado e voltado para as pessoas acima de tudo são algumas das causas das mulheres à frente dos negócios sociais. Saiba onde estão e como apoiá-las.

Existe uma particularidade essencial no empreendedorismo praticado pelas mulheres, em relação ao empreendedorismo em geral. Quando empreende ou está na liderança, segundo apurou o banco de investimentos Goldman Sachs, a mulher tende a investir não apenas em si mesma ou no negócio, mas na família e na comunidade ao seu redor. “É o exercício de um empreendedorismo mais humanizado, voltado para pessoas”, destacou Cláudia Mamede, diretora de Comunicação da Rede Mulher Empreendedora, que atua pela causa do empoderamento feminino através da independência financeira.

Embora este fator claramente conduza a um desenvolvimento social mais escalável e sustentável, um dos maiores obstáculos enfrentados por 70% das empreendedoras nas sociedades emergentes é a falta de acesso ao capital, resultando em uma lacuna de crédito de aproximadamente 285 bilhões de dólares. Levando este dado em conta, a própria Goldman Sachs uniu-se ao IFC (braço financeiro do Banco Mundial) para apoiar o desenvolvimento de proprietárias de pequenas e médias empresas pelo programa 10.000 Mulheres, que acontece desde 2008 em 56 países, incluindo o Brasil, oferecendo formação e financiamento de projetos.

Com uma proporção naturalmente diminuta diante deste valor, o crowdfunding tem, porém, se mostrado uma alternativa oportuna quando se trata de oferecer apoio às mulheres empreendedoras. Os motivos para isso estão principalmente em suas capacidades de mobilizar uma rede de apoio e de reivindicar o poder de escolha da população. Com este olhar, a plataforma de financiamento coletivo Benfeitoria e a ONG Think Olga, com o apoio da ONU Mulheres, lançaram neste ano o canal Mulheres de Impacto, uma iniciativa de captação conjunta para 11 projetos de empoderamento feminino.

A partir dos movimentos #meuamigosecreto e #primeiroassedio, por exemplo, que despertaram uma onda de protestos e manifestações conhecidas como a Primavera das Mulheres, as mulheres ativistas integrantes da equipe do Benfeitoria resolveram usar seu próprio trabalho para impulsionar projetos de mulheres que lutam por seus direitos. “Vimos em nossa ferramenta de canais a oportunidade de amplificar nossas vozes e montar uma rede de mulheres que lutam, de diferentes formas, pelo mesmo objetivo”, contou Mariana Villaça, coordenadora de projetos especiais da plataforma.

A opção por reunir as iniciativas em uma mesma campanha, depois de atrair os parceiros necessários, tem a ver com alcançar mais pessoas, dar mais visibilidade aos projetos e também pelo motivo em si de “caminharmos juntas”, destacou Mari. “O ambiente é hostil e desafiador para as mulheres, mas a conscientização disso tem aberto oportunidades interessantes como essa. Estamos nos mobilizando virtual e presencialmente, elaborando estratégias e criando tendências sociais”, avalia.

Entenda, na prática, o passo-a-passo para colaborar com a nossa campanha: 

  • Acesse a página do projeto #CadaNascimentoImporta
  • Ao lado do vídeo, à direita da tela, escolha uma das opções de cotas pré-estabelecidas. Se preferir, selecione “SEM RECOMPENSA”  e terá a opção de digitar um valor livre.
  • Preencha então seus dados pessoais + a forma de pagamento e finalize.

Pronto! Você acaba de transformar sua intenção em ação e vai, junto com a Comparto, ser um co-realizador deste projeto. <3

Além da Comparto, cuja intenção é criar uma comunidade online para divulgar conteúdo de qualidade a fim de fortalecer e empoderar a mulher grávida, sua família e toda a rede de apoio ao parto, existem projetos que apoiam a mulher a partir de outros ângulos, como a autoestima, a presença da mulher na cultura e a tomada de espaço público. O coletivo Deixa Ela em Paz, por exemplo, promove ações de ocupação do espaço público pelas mulheres e quer criar o primeiro Circuito de Enfrentamento Urbano (CEU para Mulheres): uma rede de laboratórios gratuitos para intervenções urbanas.

“A cidade é também um espaço de atuação política e o planejamento urbano insensível à presença feminina é um obstáculo permanente à liberdade das mulheres”, afirma uma das fundadoras da iniciativa e integrante do coletivo, Joana Pires. A ativista e empreendedora vê o canal Mulheres de Impacto como uma forma de incentivar a construção de cenários mais favoráveis, que garantam às mulheres condições de mobilidade e vivência dos espaços públicos com segurança, respeito e autonomia. “A ocupação do espaço urbano é uma das principais estratégias de luta pela equidade de gênero”, defende.

Entre todos, um case de sucesso é o Maternativa, que em 2015 conseguiu o financiamento necessário para se formalizar como negócio social e fortalecer, por meio de geração de conteúdo e de formação para mães empreendedoras, o que identificam como “empreendedorismo materno”. O termo que as define, segundo explicam suas fundadoras, Ana Laura Castro e Camila Conti, diz respeito a um público que enfrenta limitações e preconceitos específicos, além de representar em si mesmo “um questionamento e uma subversão ao modelo de trabalho atual”.

A ideia surgiu quando, grávidas, elas imaginavam como seria a volta ao trabalho da maneira como o conheciam. “Tínhamos a consciência de que o mercado de trabalho estava despreparado para receber e lidar com as mães puérperas e já queríamos amamentar em livre demanda e mantê-la o máximo possível, bem como manter o vínculo e a proximidade com nossos filhos. Por isso, decidimos ir para outro caminho”, contam as empreendedoras. Quando em 2015 seus filhos completaram 1 ano, começaram a sentir a necessidade pessoal e financeira de retomarem seus trabalhos, sem necessariamente voltarem às empresas.

“Criamos o grupo em junho de 2015, inicialmente com amigas, e ele foi crescendo naturalmente. Em menos de 1 mês, éramos mais de 600 mães. Hoje, 1 ano depois, somos mais de 10 mil”, comemoram. Na avaliação de Ana Laura e Camila, os filhos são um elo com o futuro, que motiva as mães a provocarem uma transformação social de modo a criar um mundo melhor para eles. “Ao nos unirmos a outras mulheres, compreendemos que nossas questões não são apenas nossas, são de todas. E torna-se interesse comum provocar uma transformação. O empoderamento vem naturalmente a partir desse processo”, acreditam.

A aposta da Goldman Sachs no potencial de desenvolvimento da mulher empreendedora provou-se verdadeira: 90% das mulheres apoiadas pelo programa 10.000 Mulheres pagou por mentorias de outras mulheres em suas comunidades, 58% criou novos postos de trabalho, apresentando um acréscimo de 3,5 funcionários em média, e 69% aumentou suas receitas. Nós também temos a convicção de que não faltam mulheres empreendedoras, mas sim acesso a capital e uma rede forte e disposta a apoiá-la. E o mecanismo que oferecemos hoje para empoderá-las é a divulgação da campanha #CadaNascimentoImporta e a contribuição ao canal Mulheres de Impacto, uma forma de ganharmos força por meio da aliança com quem acredita na mesma causa. Para que cada uma de nós saiba que não está sozinha.

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