Nascimento Martina, 22/10/2017

Tive minha primeira filha Valentina, em Janeiro de 2016 aos 17 anos, parto humanizado domiciliar, 3.470kg e 49cm. Tudo como planejado e desejado.
Em fevereiro de 2017, descobri uma nova gravidez, tivemos alguns momentos conturbados, mas ainda bem que tudo se resolveu e a gravidez seguiu perfeitamente bem. Descobrimos que seríamos pais de outra menina, que receberia o nome de Martina (novamente o papai que escolheu).
Enfim, vamos ao parto.
Sempre pensei que a Martina viria antes que a irmã dela, e quando completei 37s já entrei numa ansiedade achando que ia parir a qualquer momento (ledo engano). No dia que estava com 39+5 chorei muito, porque com esta idade gestacional da Valentina, ela tinha nascido. Foram dias horríveis, pois deixei a ansiedade tomar conta de mim e me fazer entrar em pânico por ainda não ter parido. Após longas conversas com minha doula, parteira, e amigas, eu fiquei mais calma e aceitei que Martina viria no tempo dela, e não no meu. O jeito era esperar!
Dia 20 de Outubro vim pra casa da minha mãe, acabei ficando pra posar. Tive uma ótima noite de sono, acordei e fui tomar café. Lavei a louça, dei uma organizada na casa. Fui ao banheiro com sinais de limpeza corporal pro parto, e então meu tampão desceu em quantidade considerável, dei um grito de alegria que fez até minha mãe vir ao banheiro. Eu sabia que podia demorar mais alguns dias pro TP engrenar, mas meu coração tava dizendo “é hoje”. Depois do almoço, eu e minha mãe fomos pro Centro buscar a bola de Pilates com uma amiga minha, viemos pra casa e passei a tarde toda em cima da bola fazendo exercícios pra ajudar na dilatação, porém não tinha sinal algum de dor ou qualquer outra coisa, somente umas Braxton que não cessavam.
Avisei o Tael que tinha perdido o tampão, mas que ia pra casa, mas ele disse pra ficar na mãe caso entrasse em TP.
A noite meus pais foram numa janta, e levaram a Valentina com eles. Eu precisava de um tempinho sozinha pra conversar com a Martina.
Eles saíram e eu fui pro quarto, peguei a mala de roupas dela, e coloquei uma música da Isadora Canto, Nascer!
Enquanto olhava aquelas roupinhas, eu dizia “Vem filha, mamãe sabe que você tá pronta, e eu tô pronta pra você!”. Nesse momento as 21h30 começou a tocar “Anunciação”, e na parte em que dizia “Que tu virias numa manhã de domingo” eu senti minha primeira contração. Logo baixei um app pra controlar as contrações, e elas já começaram ritmadas de 4/4, e baixando pra 3/3, aquela dorzinha gostosinha.
Avisei minha amiga Pri, Hanna, minha doula e EO Nessa (Hanna tava viajando bem nessa data), e minha parteira Raca.
Pri logo veio, e pediu se eu queria chamar a Nessa, eu disse que ia esperar mais um pouco. Mas ela bem antenada (graças a Deus) enquanto fazia o chá da Naoli, já avisou a Raca que eu tava com contrações verdadeiras.
Pri foi embora, e na mesma hora minha mãe chegou. Quando ela abriu a porta e me viu em pé na ponta da mesa, disse “Começou?” “Começou!” “Começou mesmo?” “Sim!!!”. Meu pai atrás já se desesperou e me mandou ir pro hospital, eu claro, ri e disse calmamente (só que não) “Não vou pro hospital!”.
Nesse momento fui pro chuveiro pra ver se as contrações iam passar, mas não acalmaram (era verdadeeee), e a casa toda já tava funcionando, quem tinha que ir dormir tava se arrumando, minha mãe tava a mil me ajudando a arrumar as coisas, e meu pai ligando pra avisar o Tael pra vir dormir com a Vale, já que a mãe e minha irmã iam ficar comigo.
23h30, após o banho dei o ok pra Nessa, pra Ana e pra Raca virem e fui pra casa do meu nonno onde ia acontecer o parto.
Fiquei sozinha lá por uns 15min e as contrações aumentando a intensidade.
Quando a Nessa chegou, minha irmã já estava comigo e minha mãe chegou em seguida. Conversamos um pouco e logo depois a Ana e a Lara chegaram, e começaram as fotos.
Eu estava muito alegre, mal podia acreditar que estava em trabalho de parto, e conversava e ria bastante. Tava com um bom humor incrível. Curtia as contrações na sala e no intervalo trovava igual louca. Nessa pediu se eu queria toque e eu aceitei, precisava saber a quantas andava o tp. Quando ela deu um sorriso eu pensei “ferrou, devo estar com uns 3cm” e ela me disse “Não vai demorar”, eu estava com quase 8cm de dilatação, o meu sentimento de felicidade foi tão grande, eu não conseguia parar de rir. Fui pro chuveiro, e então a Raca chegou, já foi apagando as luzes e todo mundo fazendo silêncio, tinha chego a hora de me desligar e ir pra queridinha partolândia. Dali em diante o bicho pegou, e as contrações começaram a doer muito!
Tael veio no momento em que sai do chuveiro, me deu um beijo e foi dormir com a Vale.
Eu já não tinha posição que me agradasse, minhas costas doíam tanto que eu tinha vontade de gritar até explodir a garganta. Só lembro de dizer muitas vezes “não aguento mais”.
Me escorei na mesa, me agachei no colchão, usei a banqueta, sentei no colo da minha irmã, me apoiei na minha mãe, e nada mais me acalmava. Doía MUITO! Constantemente eu olhava pro relógio e perguntava “vai demorar muito?”, e era respondida delicadamente “vai demorar o tempo que for preciso”. Fui pro chuveiro mais uma vez e não aguentei, pedi pra sair. Me agachei no colchão e ali comecei a sentir umas vontadezinhas de fazer força, mas me segurei (tonta) porque no toque anterior, eu estava com 10cm, mas tinha um ladinho que faltava. Quando a vontade ficou maior, me trouxeram a banqueta, e me apoiei na minha irmã que estava atrás (mana, desculpa por quase quebrar teus dedos). Eu fazia força e nada, não sentia ela descendo e mais uma vez pedia “vai demorar muito?”. Em seguida senti ela descendo a Raca disse “Ela tá aqui, se tu colocar a mão, vai sentir a bolsa”. Coloquei a mão e ela tava vindo empelicada, mas logo depois a bolsa estourou. Mais algumas forças e o temido círculo de fogo veio pra matar. Que dor!!! Eu e a mana acompanhavamos tudo por um espelhinho. Quando a cabeça estava quase saindo, eu tive que esperar o próximo puxo, e parecia que não ia vir nunca, doía muito. Logo depois a cabeça saiu, e de novo, precisei esperar outro puxo pro corpo sair, foram quase 2min até sair o corpo, e quando fiz aquela última força e ela senti ela vindo, tive um alívio imediato e um amor imediato. As 3h21min bati o olho pela primeira vez naquela pequena (que de pequena não tem nada), cheia de vérnix. De cara constatei o que já sabia, ela era a cara da mana Vale. Deu um chorinho só pra dizer “mãe, tô bem, tô aqui!”. Fiquei ali, admirando aquela bebêzinha que eu não aguentava mais esperar pra conhecer, e que eu queria mais que tudo, do meu lado.
Fomos pro colchão no chão, e o papai veio conhecer a mais nova gatinha. O vovô e a mana Vale vieram também, logo em seguida.
Deitadinhas ali no contato pele a pele, ela deu a primeira pega no seio, e saiu mamando o colostro. Após 1 hora, e enquanto eu comia um bolo de chocolate, a placenta dequitou, e então foram fazer as medições e cortar o cordão. Quando colocaram ela na balança e pediram pra eu chutar o peso, eu disse “Já ouvi, alguém disse 4.046kg.” e então a Raca disse “Não! É 4.460kg!!!”. Só não cai de costas porque já estava deitada, e os centímetros? 53cm!!! Eu JAMAIS iria acreditar que tinha um bebê desse tamanho na barriga. Ainda não acredito. Quem cortou o cordão dela foi a minha irmã, e quem vestiu também. Nesse tempo, também me vesti e me arrumei pra deitar com a nenê. Ana e Lara foram embora, e Nessa também. Raca, Mana, eu e Marti fomos dormir. E minha mãe foi pra casa deitar com a Vale.
Queria agradecer ao meu Deus, que sempre me ouve e me abençoa.
A minha mãe e minha irmã, que estiveram do meu lado novamente.
A Nessa, pelas incontáveis massagens e apoio.
A Rachel, pela paciência, amor, carinho e cuidado comigo e com a Marti.
A Hanna, que não pôde estar presente, mas se fez presente.
A Ana e a Lara, pelo cuidado e sensibilidade em registrar todo esse acontecimento novamente, e sempre da maneira mais linda que existe.
A Pri, que sempre está do meu lado.
E a minha filha Martina, que me ensinou novamente que SIM, eu posso, e SIM, eu pari! SIM, bebês grandes nascem de parto normal, e sem laceração ALGUMA.

Martina Rissi dos Santos, nasceu as 03h21m do dia 22 de Outubro de 2017, as 40+2 semanas de gestação, com 4.460kg e 53cm, numa manhã de domingo, assim como a irmã Valentina, na casa do bisnonno Nestor Rissi.

Eu gostaria de poder servir de exemplo para todas as mulheres que querem parir, mas esse sistema engole e as submete a coisas que elas não querem, mas tomadas pelo medo e terrorismo, aceitam! Mulheres, vocês podem! E graças a vocês, o sistema está finalmente mudando, e em breve poderemos dizer juntas “SIM, NÓS PARIMOS!” (E não necessariamente, em casa)
CHUPA ESSA SISTEMA!!!
E pros curiosos e faladores de plantão, o playground do marido tá inteiro, e digo que melhor que antes!!!
E pra terminar, sigo com aquelas palavrinhas do parto da Vale:
Fazer o que né, nasci assim…

A Diferentona da família
Índia Parideira
Ocitocinada
Terror dos ginecos fofinhos
Rainha das contrações
Empoderada desbravadora
Quebradora de paradigmas
Sambista na cara da sociedade

Bruna Rissi
Bruna Rissi
Mãe de duas. Trazidas ao mundo pela minha força! Mãe aos 17 e 19, domiciliares.

Deixe uma resposta