Relato: “Conheci o amor da minha vida”
11 de dezembro de 2015
Parto humanizado, rede pública e planos de saúde
16 de dezembro de 2015

A gravidez traz consigo dúvidas e incertezas sobre a maternidade, parto, procedimentos clínicos necessários, quem são os profissionais que prestam assistência neste período, etc. O acesso à informação faz com que muitas mães questionem algumas intervenções médicas, mas estes conhecimentos ainda não chegam a todas, que muitas vezes ficam alheias ao processo de tomada de decisões acerca do nascimento de seus bebês.

O Brasil é líder mundial em número de cesáreas, com mais de 50% dos nascimentos por via cirúrgica. Apesar de efetivas para salvar muitas vidas, a cesárea se tornou uma epidemia no país que vêm aumentando de forma exponencial nas últimas duas décadas.

Os principais motivos para esta taxa alarmante, muito mais alta do que a recomendada pela Organização Mundial de Saúde – a OMS – de até 15% de partos por cesarianas (valor em fase de revisão) – é um sistema obstétrico que remunera mal e desvaloriza profissionais que contribuem para o parto fisiológicos (como as parteiras profissionais e doulas), instituições privadas que visam lucro acima de qualquer indicação clínica, e ainda a falta de informação das futuras mães, que muitas vezes são induzidas a aceitar uma cesariana como a via mais segura, prática e rápida, o que não é verdadeiro.

O fator financeiro leva muitos médicos e hospitais a conduzirem as mulheres nessa direção: enquanto eles são pagos valores semelhantes por uma cesárea e um parto normal por planos de saúde (prática que pode estar com os dias contados, de acordo com as novas resoluções que estão sendo cobradas da ANS pelo Ministério Público), o segundo pode ocupar equipe e salas por muito mais tempo e “atrapalha” agendas e fluxos de ocupação hospitalar. Para os hospitais, é melhor dificultar e até barrar o trabalho das equipes humanizadas, como forma de incentivo a intervenção cirúrgica, mais lucrativa.

Em abril deste ano, a OMS divulgou uma declaração sobre as taxas de cesáreas no mundo, advertindo dos riscos que acompanham a cirurgia (chances de prematuridade do bebê, infecções, hemorragias e embolia). É preciso que exista a conscientização de que, apesar de relativamente segura nos dias de hoje, a cesárea não deixa de ser uma cirurgia de grande porte, que deve ser feita apenas em casos em que há risco real para a mãe ou bebê.

Compreender o parto normal como algo natural, que não deve ser temido, é o primeiro passo! O corpo feminino tem perfeitas condições de gestar e parir e, exceto quando há restrições médicas, estamos totalmente preparadas para este momento. Para ajudar a mulher a se informar e tornar-se consciente do seu poder de escolha sobre a chegada do bebê, doulas podem contribuir bastante esclarecendo dúvidas, apontando fontes de informação confiável e criando um ambiente de confiança, onde a gestante possa fazer perguntas e expressar seus medos.

Muitas mães acabam optando pela intervenção cirúrgica da cesariana por não conseguir ter uma porta de diálogo com seu obstetra e as doulas podem também auxiliar o casal a encontrar um médico que compartilhe suas visões, e que vá respeitar as decisões da mulher, tornando o processo mais harmonioso e humano.

O que acreditamos, enfim, é que somente através da educação e informação disponível as mulheres e seus parceiros poderão tomar as melhores decisões para a chegada de seu bebê e pouco a pouco poderemos transformar a cultura de nascimentos no nosso pais, possibilitando partos respeitados e incentivados por toda a equipe, sabendo que, quando necessária, a cesariana será sempre bem-vinda!

Deixe uma resposta

https://www.netkart.org Στοίχημα paykasa