Relato de parto: domiciliar planejado com transferência

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Hoje, consigo assimilar e entender melhor tudo que vivi no nascimento do meu segundo filho e, por isso, senti vontade de escrever meu relato de parto e assim compartilhar com quem se interessar por esta experiência, que foi incrível, forte, linda e renovadora.

Desde que soube que estava grávida e até mesmo antes de engravidar vinha me informando sobre parto e todos os assuntos que se relacionam esse tema. Quando descobri a gestação, eu já tinha uma certeza: esse parto era meu, ninguém o roubaria de mim e, dessa vez, seria diferente. Mesmo não sendo culpada de ter passado por uma cesariana eletiva no nascimento do meu primeiro filho, me faltou conhecimento para lutar por aquilo que até então naquela época eu achava que bastava querer ter o parto normal que assim seria.

Depois de assistir o Filme “O Renascimento do Parto”, muita coisa ficou clara para mim e para o Fábio, meu marido. Percebemos que o nosso caso era super comum, e que éramos mais um casal a ser engolido por esse sistema que aniquila a vontade da mulher.

Depois de muita pesquisa, de palestras e livros, decidimos pelo parto domiciliar, e a partir daí fomos nós preparando de todas formas possíveis: fiz Yoga, exercícios para o parto, conversamos muito, escolhemos bons profissionais tanto para o parto em casa quanto para um possível parto Hospitalar e depois disso era só esperar pelo grande dia…

E ele chegou. Depois de um final de semana super agitado, que ficamos nos preparando e preparando a casa para a chegada do nosso pequeno, ainda no domingo a noite, no supermercado, comecei a sentir a minha tão esperada contração, ainda leve, mas tão perceptível. Como foi bom ver meu corpo começando a funcionar, pois no nascimento do Lucas não pude nem esperar por elas! Assim foi durante toda madrugada, irregulares mas presentes. A manhã chegou e elas começaram a ficar mais próximas e logo a minha cunhada Juliana Barreira Cruz chegou. Ela iria nos acompanhar e como foi boa a chegada dela, tivemos um dia super gostoso, estávamos felizes pois havia chegado a hora do nosso bebê e estávamos ansiosos por sua vinda, e melhor, estávamos todos juntos nessa espera. O Lucas, meu mais velho, estava acompanhando tudo, feliz e participativo.

Na hora do almoço a bolsa estourou e pouco depois chegou a nossa querida doula, Raquel Oliva, para nos acompanhar. Passamos o resto do dia ali, monitorando as contrações. Fiz tudo normalmente durante o dia, dei comida, banho e coloquei Lucas para dormir. As dores vinham, eram fortes porém suportáveis, e senti-las era mágico pois elas me aproximavam do meu filho. Erámos eu e ele juntos em uma conexão sem explicação e ter o amparo de todos que estavam comigo, fazia com que as contrações fossem muito suportáveis.

Durante a madrugada as parteiras chegaram e continuei a ter as contrações, porém elas foram se tornando mais irregulares. A manhã de terça-feira chegou e, mesmo tendo alcançado 9cm de dilatação, as contrações não eram fortes o suficiente para ajudar o bebê a descer. Estavam muito espadadas e coração do bebê começou a acelerar. Como eu estava de bolsa rota há mais de 18h, nossas parteiras, Márcia Duarte Koiffman e Priscila Maria Colacioppo, sugeriram uma transferência para o hospital, pois naquele momento o mais prudente seria estar no ambiente hospitalar para o período expulsivo, pois assim não ofereceria nenhum risco nem para bebê nem para mim.

A transferência foi tranquila, sem pressa e estar com elas nos trouxe muita segurança para nossas decisões. Tudo o que poderia ser feito em casa foi feito e ter passado por aquela experiência foi maravilhoso, indescritível… a sensação de conforto e segurança que é estar no meu lar com as pessoas que eu escolhi valeu super a pena.

Chegamos ao hospital e lá estávamos resguardados por uma equipe de parto humanizado: minha médica Obstetra Dra. Dolores Nishimura já me aguardava e foi super persistente para que tudo continuasse como eu queria. Lutou comigo, me deu forças quando eu nem achava que teria mais; o pediatra, Dr. Ricardo Coutinho, que mesmo indo de última hora foi super cuidadoso conosco e com nosso pequeno (ter um pediatra faz muita diferença!) e a Obstetra assistente, Dr. Thavia, que durante muitas vezes foi o olhar que me acolheu e acalmou.

Eu pude continuar o que já havia dado início em casa, mesmo com alguns impercilios, como o de não poder ter a equipe que já estava comigo dentro do hospital – essa hora foi muito difícil.

Depois de duas horas, com dores mais fortes, pois foi administrada ocitocina para regular e intensificar as contrações, nosso Hélio nasceu! Super forte, grande e recebido com muito amor por todos que lá estavam. Eu consegui meu tão esperado e desejado parto Humanizado!!! Senti tudo e foi muito bom ser a protagonista do meu parto, mesmo dentro de umas das maternidades com maior número de cesarianas da cidade, ao lado do meu maior companheiro, Fábio Cruz, que me deu força e que viveu intensamente comigo aquele momento tão lindo.

Hélio ficou comigo por duas horas e só depois foi levado para ser medido e pesado. O cordão umbilical só foi cortado pelo pai depois de parar de pulsar e ele mamou em seguida. O seu primeiro banho foi dado por mim, com seu irmão assistindo, apenas no dia seguinte.

Foi mágico vivênciar tudo isso, e junto com esse nascimento todos nós renascemos, nos fortalecemos e eu vi o quanto sou capaz – e todas nós mulheres somos! Nosso parto não exatamente foi como planejamos, porém foi como tinha que ser e, acima de tudo, fomos respeitados e acolhidos.

Felicidade e gratidão é o que sinto, principalmente ao meu marido, que me apoiou, sonhou comigo e acreditou na importância desse seu momento. Sem o seu apoio nada disso seria possível, e tê-lo ao me lado foi a coisa mais intensa que senti na vida!

 

1 Comentário

  1. Lia Oliva disse:

    “acima de tudo, fomos respeitados e acolhidos.” – não é mais difícil, não custa mais, não exige mais energia (pelo contrário) e é a base para a diferença entre essa experiência que deixa marcas tão profundas ser positiva ou negativa. 🙂

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