Cesárea – as 6 incontestáveis indicações
15 de fevereiro de 2017
Você sabe falar a língua do P (arto)?
22 de fevereiro de 2017

Por Silvia Toledo, Nascimento da Nina

Equipe:
Parteiras: Mariane Menezes Camila Licciarde
Doula: Nara Medeiros
Fotógrafas: Line Sena Pri-k Fernandes

Seguro ela nos meus braços completamente apaixonada e ainda demoro a acreditar em tudo que vivemos juntas para chegarmos até aqui… Antes do positivo da Nina um aborto retido com 12 semanas, sem nenhuma causa aparente, um luto profundo, tantas perguntas e a maioria delas sem resposta, lágrimas, orações, acolhimento de pessoas queridas e seguimos em frente. Enfim depois de alguns meses aqui eu estava no mesmo lugar, com um teste de positivo e a esperança de que dessa vez chegaria até o fim, a cada ultrasson um alivio, a cada passo a confiança crescia e o medo dava espaço a alegria de gerar nossa pequena.

39 semanas completas, já em pródromos antes disso há cerca de 4 dias, com contrações de treino e perda de tampão mucoso, no domingo dia 27 de novembro por volta das 23hs as contrações se intensificaram, estávamos na fase latente.

Acendendo velas, contando as contrações, ligando minha playlist, Black já cuidando de mim, fazendo massagem, me ajudando manter a respiração. Avisamos a equipe, realmente as contrações engrenaram. Liguei para a doula, mais do que apenas minha doula, ela é uma amiga que a vida me trouxe como um presente durante a gestação. Line, minha amiga fotógrafa já estava a caminho vindo de Curitiba para estar conosco e registrar esse momento, porém eu não tinha certeza se daria tempo dela chegar, afinal partos não são nada lineares, então liguei para a outra também amiga fotógrafa Prik que já estava sobre aviso. Todos a caminho, entre os intervalos das contrações Black foi cuidando da água da piscina e organizando algumas coisas práticas da casa.

O interfone toca, o acolhimento, o sorriso, o choro no abraço, a gratidão por ela ter chegado, era a Nara: nossa doula! O colo, as massagens, o convite para se entregar a cada contração, para abrir caminho, abrir espaço. Juntas íamos agachando a cada contração. Black saiu para comprar sorvete e suco, era tudo que eu conseguia pensar em “comer”.

No chuveiro outro toque de interfone, era a Prik, que bom que ela tinha chegado, sem cliques não íamos ficar rsrsrs

Segui em frente, dando um passo de cada vez, respirando, ouvindo as músicas que escolhi, abraçando o Black, recebendo dele massagens e afeto, meu cumplice, melhor amigo e grande amor com quem escolhi dividir a vida.

Chega a parteira, Camila foi até o banheiro me ver, um abraço, um sorriso e a primeira ausculta, Nina estava ótima, um suspiro profundo e tranquilidade para ir adiante.

Saio do banheiro vejo a Mari, a outra parteira, mais um abraço, um sorriso e mais acolhimento.

As 3:30 a bolsa rompe, ruptura parcial.

Vimos o dia amanhecer e por volta das 9hs Line chega, um colo, mais lágrimas e mais abraço apertado, ela me disse: “Estou tão orgulhosa de você amiga”, ela é uma das grandes responsáveis pelas cortinas que eu abri do mundo da humanização. A presença dela nesse momento tem um significado que não cabe em palavras.
Relato Silvia Toledo CORPO

12:40 a vontade de fazer a força, a pressão no períneo e o cansaço chegavam como uma avalanche, depois de horas ali eu estava diante de um expulsivo prolongado, difícil, intenso, desafiador. A Nina estava posterior, demorando pra fazer a rotação.

Por volta das 16hs um surto de desistência invadiu meu coração, eu estava decidida: eu queria a transferência, queria analgesia, queria uma cesárea, queria qualquer coisa que acabasse logo com tudo aquilo. Pensamentos: “onde eu estava com a cabeça de achar que eu seria capaz de parir minha filha na minha casa? Isso é impossível, eu não vou conseguir, eu não quero mais, eu cansei! Eu não preciso provar nada pra ninguém e nem pra mim mesma.” Mari e Camila tentaram me trazer pro eixo, Black me abraçava, tentava me acalmar, nada adiantava, realmente eu tinha entrado no ciclo da dor. Já trocada, perto da porta da cozinha pronta pra ir pro hospital mais próximo me ajoelho entre uma contração, eu estava com 9cm de dilatação, de novo o abraço e acolhimento da Line e as palavras de lucidez: “Si, isso não é o que você quer, no hospital você não conhece ninguém, aqui você já está acolhida pela equipe, está tudo bem, você sabe que já está perto, fica.” Uma longa respiração e mil pensamentos em segundos, relatos de partos que eu havia lido, vídeos de partos assistidos, todo empoderamento, ou eu continuava escalando essa montanha ou pegava um atalho… Tirei o shorts, a calcinha e fui pra piscina… Ali exausta eu me rendi a todos os desafios que esse parto estava me trazendo, eu respirei, eu tomei mais sorvete e eu encontrava ao redor todos que eu escolhi a dedo pra esse momento. Eu não estava sozinha, Black continuava comigo nesse caminho, ele que bancou comigo o parto domiciliar desde sempre, minha equipe, duas amigas queridas com os cliques atentos, minha doula e os meus pensamentos comigo mesma: “Silvia, respira, calma, vai dar tudo certo, está tudo bem com a Nina, ela vai chegar mais cedo ou mais tarde”. Mais força, mais puxos e algumas vezes os pensamentos oscilavam: “ ela não vai chegar nunca, deve ter alguma coisa de errado, devo estar fazendo a força errada, não vai dar certo, será que eu vou conseguir…?”
Bem na minha frente a Line estava posicionada com a câmera, ela que pariu 2 filhos na sua casa conversava comigo entre uma contração e outra quando eu a solicitava: “Si, a Nina está vindo no tempo dela, aproveita toda a contração pra fazer a força, você não tá fazendo nada de errado…”

Finalmente às 17:07 do dia 28 de novembro, depois de 18hs de trabalho de parto, bolsa rota de 13hs e 30min, um expulsivo de 4hs e 20min, com uma chuva fresca caindo Nina chegou com 2 circulares de cordão, ela sai da água e vem direto pro meu colo, atrás de mim está o pai dela e o meu amor, cantei pra ela a música que cantava durante a gestação… “Brilha, brilha estrelinha, brilha brilha lá no céu, brilha forte, brilha alto que é pro mundo ver sua luz…” Ela mamou na primeira hora de vida e não saiu do meu colo, a pega dela já era linda ????
Pesou 3.070kg e mediu 50cm

Relato Silvia Toledo 5

Se é verdade que ela rasgou minha pele pra nascer, que doeu, queimou … também é verdade que ela rasgou meu peito, meu coração, ressignificou a minha história, a minha vida. Se é verdade que eu chorei de dor, de exaustão, também é verdade que eu choro hoje de paixão por essa estrelinha reluzente.

Se é verdade que eu pari uma filha, também é verdade que eu pari os meus medos, a minha desistência, o meu imediatismo, as minhas tentativas de controle, a culpa, as necessidades de respostas e explicações.

A Deus a minha gratidão eterna, Ele que é a minha esperança e fé nos dias ruins, sem Ele nada disso faria sentido.Nele geramos esse sonho, Nele depositamos nossos medos e limitações e Nele conseguimos. A sua graça e amor estiveram conosco em todo tempo.

Black meu amor, meu grande amigo, parceiro, cúmplice, obrigado por estar comigo nessa decisão, obrigado por acreditar quando eu pensei em desistir, obrigado por ser exatamente quem você é na minha vida, esse parto também é seu, você que em nada é omisso, você que ouviu comigo tantas coisas, sentiu comigo tantos sentimentos durante todo esse longo caminho, nós conseguimos! Eu te amo, a Nina saberá em breve que tem o melhor pai do mundo.

A minha mãe que me pariu, pelo apoio na decisão do parto domiciliar e por todo o cuidado com a gente nesse puerpério, obrigado mãe.

Obrigado Mari e Camila por acreditarem nas evidências, por acreditarem que não há tempo cronometrado para bolsa rota, nem para um expulsivo prolongado, obrigado pelo atendimento rápido e ao mesmo tempo gentil no pós-parto, obrigado por todo o acolhimento que eu ainda estou recebendo de vocês nesse puerpério. Obrigado por não me ouvirem quando eu solicitei motivos para uma transferência.

Nara, doula e amiga obrigado por se doar conosco nesse nascimento, obrigado por cada olhar, cada palavra, cada abraço, massagem, cada colherada de sorvete, sua serenidade e calma, suas palavras positivas quando eu achava que não ia dar certo, a sua presença foi fundamental e indispensável.

Prik obrigado pelos clicks que eu ainda nem vi mas tenho certeza que serão lindos, obrigado pela amizade e por topar estar conosco se doando nesse processo que foi o nascimento da nossa Nina.

Line, no final das contas não existem palavras pra definir nossa amizade e muito menos a importância da sua presença comigo nesse momento… Obrigado é tudo que tenho mas parece tão pouco, obrigado pelas conversas antes do parto, obrigado por cada detalhe no parto e obrigado pela companhia nos primeiros dias do pós-parto, sua leveza, doçura, serenidade, tranquilidade foram tão essenciais em tudo que vivemos, você sabe que é especial, os seus cliques são secundários diante de tudo que você representa nesse nascimento, (e olha que para ser secundário é porque você é importante mesmo rsrsrs ) aliás eu nem recebi o trabalho final, mas já estou apaixonada pela prévia. Amiga obrigado!

Ana Duarte, você não estava aqui como doula mas se fez amiga em cada conversa nossa no watzapp, me indicou a equipe, obrigado Ana.

Nina meu mais novo amor, obrigado filha, obrigado por ter sido forte e corajosa, por não desistir de encontrar o seu caminho no seu tempo, nós fizemos juntas esse trabalho, eu de parir, você de nascer… Juntas escalamos uma das mais altas montanhas da vida. Você está me ensinando sobre o maior amor do mundo!

A todos que lutam pela humanização do nascimento no Brasil, obrigado!

Deixe uma resposta

https://www.netkart.org Στοίχημα paykasa