Relato de parto natural – “E não é que a gente gosta de parir mesmo?!”

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Por Luciana Rangel (Danton e Liz) – 21 de novembro de 2013

Pré-Parto

Decidi começar o relato pelo mês que se antecedeu ao parto, porque para mim ele foi mais difícil do que o parto em si… rs Eu saí de licença quando estava com 37 semanas, e a Liz nasceu quando eu completei 41. Essas 4 semanas foram muito, muito longas. Eu estava muito ansiosa e durante toda a gravidez tinha muito medo de ir além das 40 semanas (pelos “fantasmas” que a sociedade e até alguns obstetras colocam: mecônio, placenta envelhecida, “não vai passar da hora?”, “não é perigoso?”). Apesar de eu saber todas as evidências científicas a respeito desses temas e contar com uma equipe que me apoiava em esperar até 42 semanas, eu tinha esse medo dentro de mim, e foi uma luta interna, principalmente quando completei 40 semanas e nada da filhota querer nascer… Tinha feito o toque quando estava com 38 semanas e já estava com 3cm de dilatação, o que me deixou super feliz. Porém essa dilatação se manteve até o dia do nascimento. O tampão também começou a sair por volta das 38 semanas e fiquei na maior expectativa, mas acho que ele se refez e voltou a sair inteiro no dia do parto. Após eu já ter feito todos os truques pra estimular o trabalho de parto (sexo, pimenta, escalda-pés, muita caminhada, subir ladeira, escada, acupuntura, carta pro bebê, esperar a lua, affff), o dr. Jorge sugeriu fazer o descolamento de membranas, na consulta de 40 semanas. Fizemos e ele disse que se a Liz não nascesse nos 2 dias seguintes (não nasceu), iríamos repetir o procedimento na outra consulta, que estava marcada para dali 3 dias, que foi o dia do parto.

Parto

Após um turbulento feriado (20 de novembro), que passei tendo crises de choro e ansiedade, e sendo amparada pelo meu maridoulo Danton e a doula Raquel (via sms conversávamos sobre essa espera), enfim o dia 21 de novembro chegou. Acordei por volta das 7am com contrações doloridas (eu já sentia as contrações de treinamento há algumas semanas, mas sempre sem dor). Essas primeiras eram fracas e eram como cólicas menstruais. Levantei super feliz, eu havia esperado tanto por aquelas dores que estava adorando sentir! Acordei o Danton dizendo: Hoje está diferente! E ficamos felizes, mas contendo a ansiedade, pois sabíamos que poderia demorar alguns dias ainda pra ela nascer. Nessa manhã tínhamos exames marcados pela manhã e consulta com o dr. Jorge a tarde. Avisei a Raquel das contrações e fomos para o laboratório, no rádio do carro estava tocando “Hoje eu só quero que o dia termine bem” (e eu tb queria! rs). Fizemos o ultrassom, estava tudo ótimo com a Liz, e o cardiotoco já marcou as contrações ritmadas. O médico que fez os exames nos disse que eu estava em início de trabalho de parto, mas que poderia esperar até a consulta da tarde e seguir as recomendações do dr. Jorge. Então fomos para casa, e as contrações iam aumentando de intensidade e frequência conforme o tempo passava. Eu não queria que elas parassem de vir de jeito nenhum (eu pensava: “Não vai embora! Pode vir mais forte!”). Eu e meu marido almoçamos e fizemos uma caminhada bem gostosa, estava um dia lindo de sol e vento. Fomos até a igreja e lá pedi a benção de Deus para aquele dia e pedi à N. Sra. Aparecida que guardasse e protegesse a Liz naquele dia. Eu tinha receio de ficar muito preocupada com a Liz (sua movimentação fetal, batimentos, etc) e isso atrapalhar o meu trabalho de parto… por isso pedi à Nossa Senhora que olhasse por ela, para que eu conseguisse me concentrar no meu corpo e na minha mente. Saímos de lá, subi os 10 andares de escada do meu prédio para estimular, e fiquei descansando na bola de Pilates, até chegar o horário da consulta (3pm). Fomos para a consulta sem levar a mala do hospital, pois a gente já tinha se frustrado tanto nos últimos dias, que não queríamos criar expectativa que seria naquele dia… Para mim as dores ainda estavam suportáveis. Chegando no consultório, já não consegui subir as escadas direto, tive que parar durante uma contração. O dr. Jorge viu a cena e quando terminei de subir ele brincou dizendo que se precisasse nascer ali não teria problemas. Rs Ele viu os exames da manhã e ao fazer o toque disse que eu estava com 6cm de dilatação e por precaução deveria ir diretamente ao hospital (São Luiz, que tínhamos escolhido). Ele meu deu o “último abraço de barriga”, e saímos de lá tão felizes, cheguei no São Luiz com esses 6cm, mas sorrindo de orelha a orelha por finalmente ter chegado a hora! A longa espera, no final, seria meu anestésico. Internamos no hospital por volta das 5pm, e nesse meio tempo fomos ligando para os meus pais para que buscassem as malas em nosso apartamento para levar até o hospital. (Meus pais são do interior, mas nesse dia estavam em São Paulo porque era aniversário da minha irmã caçula Paula, que é madrinha da Liz. Tínhamos combinado uma pizza para essa noite.) Após o procedimento de internação (cardiotoco, questionário em relação ao histórico da gravidez, etc), fomos até as salas delivery. As duas estavam vagas, escolhemos a que tinha uma banheira maior. Logo depois chegou a Cris Balzano, que foi nossa obstetriz, e em seguida a Raquel e depois o dr. Jorge. A equipe ficou na sala, e eu quis ficar caminhando no corredor do hospital, e me sentia ótima. Durante as contrações me concentrava, respirava, “surfava a onda”, me apoiava na porta. O Danton logo chegou (a gente tinha se separado para ele se vestir e fazer os protocolos de internação) e a partir daí me apoiava nele. Me lembro que quando ele chegou me perguntou: Como vc está? E respondi: “Estou feliz”. Apesar das dores quer iam/voltavam, eu estava banhada de hormônios e qdo elas davam intervalo, eu me sentia muito feliz e calma, com a sensação de que tudo daria certo. Meu pai chegou com as malas, e saí rápido para dar um beijo nele. Ele estava no celular com a minha irmã Marta, e não sabia se falava comigo ou com ela, mas lembro que os olhos dele estavam com aquele brilho característico. Com o aumento das dores, a Raquel começou a me ajudar com massagens, óleos, apoio. E assim fomos até as 8pm, quando pedi para ser examinada novamente. O dr. Jorge fez o toque e eu estava com 8cm de dilatação, já na fase final. Então eles sugeriram ir pra banheira, mas eu disse que queria começar pelo chuveiro e deixar a banheira pro final. O chuveiro foi a melhor parte do parto para mim, foi uma delícia aquela água quentinha nas costas. As contrações vinham e eu rebolava e fazia uma dancinha que eu inventei na hora. No intervalo, me sentia feliz e ficava com meu marido, tomava água, suco, acho que até comi umas coisinhas que a Raquel trouxe. Nos intervalos me vinha na cabeça a cena do filme “O Renascimento do Parto”, onde uma parteira diz: “A gente gosta de parir!”. E eu pensava: “E não é que a gente gosta de parir mesmo?!” e ria, ria… rs Bom, depois de terminada a dilatação, começou pra mim o período mais difícil do parto que foi o expulsivo. Nessa hora as contrações continuam vindo, mas a dor muda. Eu sentia vontade de fazer força contra a dor, era diferente da dilatação onde vc “deixa passar”. E pra mim foi muito difícil e dolorida essa parte. Foi nessa fase que passou pela minha cabeça pedir a anestesia, mas eu já sabia que estava no final, e que se aguentasse mais um pouco a Liz nasceria logo. E com a ajuda de toda a equipe (a Cris dizia: “É difícil, mas vc consegue”, a Raquel “Já tá quase na hora do abraço”, o dr. Jorge dizendo que já estava descendo, e logo me disse pra sentir a cabeça da Liz com as mãos), e principalmente do meu marido (que a essa altura já estava de sunga na banheira junto comigo), consegui suportar. Perguntei se estava tudo bem, e alguém me falou: a única dúvida que temos é se ela vai ser escorpião ou sagitário. Rs Pois estava pra chegar a meia noite de mudança de signo. Enfim, após um período expulsivo cansativo e muito dolorido, fiz uma super força e a cabeça da Liz saiu. O Danton me falou: Ela já está aqui! Não olhei, continuei respirando e concentrando para a próxima, para que ela saísse inteira. E na seguinte fiz uma super força novamente e o restante do corpo saiu, eram 23h51, Liz escorpiana! O Danton segurou, a Cris tirou uma circular de cordão antes dele passar ela pra mim, e daí foi só alegria e gratidão. Nunca conseguirei descrever em palavras o que senti naquele momento. Não chorei (sempre achei que choraria), senti uma euforia e alegrias sem fim, e uma gratidão enorme por tudo ter saído melhor do que eu poderia imaginar. Bem vinda à vida, Liz!

02.03_Parto Lu Rangel_Liz

Gratidão

À Deus, que após um aborto espontâneo sofrido, nos enviou a Liz logo depois, reacendendo minha fé. E por estar sempre presente em nossa família, em todos os momentos.

Ao meu marido Danton, que é meu amor, meu melhor amigo, companheiro, e realizou e realiza comigo meus sonhos mais bonitos!

Às minhas mulheres inspiradoras do parto: Minha avó Maninha, que pariu 10 filhos e minha mãe Maria Lúcia, 3 filhas de parto normal.

Ao Dr. Jorge Kuhn, que desde a primeira consulta nos ganhou com seu profissionalismo, caráter, e paixão pelo que faz. Ele me deixou muito brava no finzinho de gravidez com os chacoalhões que me deu para não desistir do parto normal, e eu tive com ele diversas discussões imaginárias, mas mesmo sendo só na minha cabeça ele sempre ganhava. Rs

A Dra. Elaine di Celio, minha ginecologista há mais de 10 anos, que entendeu minha escolha quando troquei de obstetra no meio da gestação, e continua sendo minha gineco do coração e companheira da nossa família.

A Cris Balzano, nossa obstetriz e professora de ioga (e depois baby-ioga), por sua calma, consultas e conversas nas horas difíceis.

A Raquel Oliva, nossa doula, que cuidou tão bem de nós no período que estivemos juntos. Muito atenta, calma, SMS de dia, noite e feriados… rs

Ao Douglas Nóbrega, pediatra neo natal, que conhecemos no dia do parto, e acabou sendo escolhido por nós para cuidar da nossa pequena. E pelo cuidado que ele tem com ela a cada consulta, tão carinhoso e dedicado.

A fisioterapeuta Miriam, por todo o entusiasmo e força para nos animar no EPINO e preparar para o parto natural. Parto sem episiotomia e sem lacerações, viva!

Ao pessoal do GAMA e da Casa Moara, pessoas tão bacanas que conhecemos durante as consultas, palestras noturnas para casais gestantes, etc.

E finalmente, à minha filha Liz, que veio para mudar radicalmente a minha vida, e que está com toda paciência e graciosidade comigo no processo de me tornar uma versão melhor de mim mesma, a versão MÃE.

3 Comentários

  1. Joyce disse:

    Lindo e emocionante texto! Estou de 33 semanas com a cabeça mergulhada em medo e dúvidas sobre tudo!
    Que Deus abençoe sua linda família! ????

    • Joyce, medos e dúvidas são normais.. ampare-se com uma equipe que te apoie de verdade e esteja a sua disposição para esclarecer todas as suas questões. Você tem direito à informação e a conhecer todo esse processo pelo qual está passando e as fases ainda por vir. Uma boa doula pode ser fundamental nesta fase para ajuda-la com suas dúvidas e estar a seu lado te dando apoio físico e emocional até o final. Esperamos que tenha uma linda experiência de parto e que sua / seu bebê chegue com muita saúde <3.

  2. Realmente é um momento muito lindo quando conseguimos parir naturalmente. É uma alegria imensa, ver aquele bebezinho perfeito que veio mesmo para mudar nossas vidas para melhor, graças a Deus!! Agradeço muito a Deus pelas três filhas que tive. É um momento maravilhoso e sem explicações.

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