Relato de parto natural – segundo filho, em casa

Você já ouviu falar em cosleeping?
22 de março de 2017
Akka, Deusa da Fertilidade
29 de março de 2017

por Luciana Rangel

Relato de parto – Danilo (01/10/2016) 

Hospitalar ou domiciliar? Era assim que nossa obstetra iniciava nossas consultas pré-natais, e nossa resposta era sempre: “Vamos decidir no dia, conforme nos sentirmos melhor!”. Assim, nos preparamos para ambos. A malinha da maternidade estava pronta a partir das 37 semanas e a casa abastecida com material de parto (piscina inflável, protetores de colchão, etc). Essa foi nossa 2a gestação, havíamos tido uma excelente experiência de parto da nossa primogênita Liz, que nasceu em um parto natural hospitalar. Assim, não tínhamos restrições ao hospital, exceto pelo fato de que nos doía o coração pensar que teríamos que deixá-la com alguém, para voltar dois dias depois com um bebê pra casa. Essa separação da família em um momento tão especial era estranha para nós, e era nosso motivador para o parto domiciliar. Mas nos sentíamos seguros que o dia escolhido pelo Danilo iria nos mostrar o melhor caminho e a melhor decisão a tomar.

Fazendo aqui um flashback para meses antes, desde que descobri que estava grávida, fiquei muito emocionada com a previsão de parto que seria em setembro, porque é um mês que eu adoro. Já tinha até colocado no nosso calendário familiar o nome do Danilo em setembro, só esperando o dia para completar… maaaaas quem disse que o danadinho apareceu no mês “combinado”?

Acordei no dia 30 de setembro (41 semanas e 1 dia) sentindo nada! Rs Fui trabalhar normalmente (o final da minha gestação foi um período muito ativo de trabalho, a minha empresa estava passando por um programa de aceleração e meu ritmo de trabalho estava literalmente super acelerado!), e a tarde tínhamos exames e consulta de rotina (nessa fase da gestação, fazíamos exames/consultas dia sim, dia não). Como nossa obstetra estava atendendo um parto no hospital São Luiz, ela pediu para fazermos os exames lá e depois nos atenderia no intervalo desse parto. Chegamos lá e o São Luiz estava caótico nesse dia! Era uma sexta-feira e levamos 3 horas para fazer o ultrassom e o cardiotoco (que estavam ótimos, mas sem nenhum sinal de trabalho de parto). Em seguida ela nos atendeu, examinou e combinamos que aguardaríamos o final de semana para ele nascer espontaneamente, ou senão iniciaríamos uma indução na 2a feira.  Saímos de lá, passamos no Google Campus porque eu tinha uma apresentação marcada para o final da tarde, e de lá fomos buscar a Liz na escola.

Chegamos em casa naquele clima de sexta-feira encerrando uma semana bem puxada. Eu e Danton falamos um para o outro: “Ufa, enfim em casa! Agora vamos relaxar que esse final de semana promete!” Ele entrou pra tomar um banho e se preparar para dormir, mas assim que saiu já me encontrou dizendo: “Baixa o aplicativo de contrações! Estou em trabalho de parto, e já está forte!”. Isso era aproximadamente 20h da noite.

O aplicativo já marcou contrações ritmadas e chamamos nossa doula, a Raquel, para vir em casa. Começamos a jogar jogo da memória com a Liz para descontrair. O Danton nesse momento me perguntou se iríamos para o hospital ou ficaríamos em casa. Com a tarde estressante que tínhamos passado no hospital e o clima gostoso que estávamos em casa, ficou fácil pra eu responder: “Só volto lá em caso de necessidade!”.

Assim começamos o trabalho de parto em casa, a Liz nos ajudou a encher a bola de Pilates, ficou curiosa com as minhas contrações (“Papai, porque a mamãe tem que ficar andando no meio das jogadas do jogo da memória?” rs), até que ficou com sono e resolveu ir dormir. O Danton, antes de colocá-la para dormir, rezou para o Papai do Céu com ela, dizendo que o Danilo estava chegando, e que assim que ela acordasse ele provavelmente estaria em casa e ela iria conhecê-lo. E assim ela adormeceu.

A Raquel chegou em casa, e começou a me ajudar com as massagens e estímulos para lidar com a dor. Me falaram bastante durante a gestação que o trabalho de parto do segundo filho já começa mais adiantado e intenso do que o primeiro (de forma geral), e de fato era o que eu estava sentindo. As contrações já começaram bem fortes e com baixo intervalo entre elas, e por volta das 22h pedi para ir ao chuveiro. Como no meu primeiro parto, o chuveiro foi de novo a melhor parte para mim. É incrível o milagre que uma água quente caindo nas costas não faz nesse momento! Lembro que a Raquel comentou comigo: “Você está tendo a contração na mesma intensidade, mas parece que ficou fraca né?”. E era isso mesmo… no chuveiro, entrei na “partolândia”, pude sentir novamente aquela euforia e alegria de estar parindo. Eu ria, sorria e ria mais um pouquinho. Dançava nas contrações e descansava entre elas. Só conseguia me sentir feliz em saber que estava, de novo, sendo abençoada pelo meu sagrado feminino e prestes a receber meu filhotinho nos braços.

(Uma parte que me marcou muito durante o chuveiro, foi que em determinado momento senti a presença do Douglas, o pediatra que nos acompanharia no parto, e que infelizmente havia falecido dois meses antes. Senti ele ao meu lado dizendo: “Eu estou aqui com vocês. Está tudo bem com o Danilo, e comigo também!”. Se efeitos da partolândia ou hormônios, não sei explicar, mas foi uma “presença” que me trouxe segurança e serenidade.)

Em determinado momento do chuveiro, as dores ficaram muito fortes e a água já não dava mais conta… pedi para a Raquel chamar a Betina (obstetra), pois queria saber em que momento da dilatação eu estava, pois se não estivesse no final, eu pensava em ir para o hospital tomar anestesia e finalizar o parto lá, porque mais do que aquela dor eu não aguentaria por muito tempo (na minha cabeça ainda faltava muito para o Danilo nascer).

A Betina chegou depois de uns 15 minutos da chamada, pediu para me examinar e disse: “Quer saber quanto de dilatação vc está? Dilatação total, mulher!! Está tudo bem e o seu filho já está nascendo!! Espera só eu ligar para a Silvia (a pediatra) que já te ajudo com o expulsivo, e em 20 minutos ele nasce!!”.

E assim foi… íamos fazer o expulsivo na piscina que o Danton tinha enchido na sala durante todo o tempo que eu estava no chuveiro… mas a água já tinha esfriado… e achamos melhor ir pro chuveiro de novo. Comecei a fazer as forças nos momentos de contração e quando o Danilo estava para sair, a Betina me perguntou em que posição eu me sentia melhor para isso. Eu estava de pé e disse que era daquele jeito, mas que tinha medo dele cair no chão. Ela respondeu: “É para isso que eu estou aqui! Vc faz o seu trabalho aí e eu faço o meu aqui, e ele não vai cair no chão!”. Fiz uma força grandona e a cabeça do Danilo saiu. Ela me avisou e disse para fazer bastante força na seguinte para sair o restante do corpo. Nem olhei para baixo e segui o baile, e o Danilo escapuliu de dentro de mim para as mãos da Betina, que esperou eu sentar e me entregou meu pequeno.  Já era outubro, dia 01/10, 00:40h, no banheiro da nossa casa! =)

E ali ficamos, eu e ele, no chão do box, nos reconhecendo. Acabou dor, acabou cansaço, e veio o alívio, o amor e a gratidão. O Danton veio conhecer o filho, cortou o cordão umbilical quando ele parou de pulsar (com a ajuda da Silvia, a pediatra que chegou no exato momento do nascimento), e chorou umas lágrimas de emoção. E assim re-nascemos como uma nova família.

Depois da saída da placenta, levantei e fui andando até a minha cama para a Betina me examinar. Não tive nenhuma laceração (dá-lhe EPI-NO!) e me sentia ótima. Silvia olhou o Danilo, que teve nota Apgar 10 e 10. A Betina se despediu e foi merecidamente descansar (ela tinha virado as 2 noites anteriores fazendo partos!) e ficamos com a Raquel e a Silvia nos ajudando com os últimos detalhes antes de irem também.

E daí, a Liz acordou. Incrivelmente ela, que tem sono leve, apagou durante todo o processo de parto e só acordou quando tudo já estava bem tranquilo (Detalhe: ela dormiu na nossa cama, que fica em frente ao banheiro onde tudo aconteceu!! Coisas de Deus…). E foi nesse momento que sentimos que fizemos a escolha mais acertada em ficar em casa: nunca me esquecerei do momento em que ela abriu os olhos e viu o irmão do lado dela na cama. Ela chegou a esfregar os olhinhos no estilo “Será que estou sonhando ou é verdade?”, e quando viu o Danilo ficou muito feliz e eufórica. Ela quis o segurar imediatamente e perguntou se poderia levar para a escola e mostrar para os amigos dela! Rs Imagino que para ela, foi tudo como uma mágica, e o melhor: o Danilo ainda tinha trazido uma piscina para ela bem no meio da sala!!! Rsrsrs

LuRangel_familia

Avisamos os familiares, e adormecemos nós quatro na mesma cama! No dia seguinte, cafezinho no quarto para mim, feito pela Liz e pelo Danton. Parentes e amigos chegaram para conhecer o pequeno em casa, em um final de semana bem gostoso, e a vida seguiu seu rumo.

Bem-vindo a sua casa e a nossa família, Danilo! Gratidão a Deus, como sempre! Gratidão a vida, que mais uma vez me mostrou sua força e o seu valor! Gratidão ao meu marido Danton, que dessa vez ficou um pouco mais longe de mim durante o TP (banheiro pequeno não cabia todo mundo! Rs), mas que está sempre “juntinho”! Gratidão a nossa equipe de parto, dessa vez composta só de mulheres, e mulheres incríveis: Betina, Raquel e Silvia!

LuRangel_equipe

NOSSA EQUIPE

Família: Luciana, Danton, Liz e Danilo

Obstetra: Betina Bittar

Doula: Raquel Oliva

Pediatra: Silvia Maia

Agradeço também ao dr. Jorge Kuhn (obstetra do parto da Liz), que no início do pré-natal do Danilo já havia dito: “O melhor lugar para esse menino nascer? Deixa eu ver aqui na sua ficha seu endereço, porque é lá mesmo!”

 

2 Comentários

  1. Bom dia
    Estou grávida e hoje entrando no meu 6 mês. Tenho muita vontade de ter meu bebê em casa. Minha primeira filha é de parto normal e prematura.
    Mais tenho o mesmo receio de deixar ela em casa e eu e o pai dela ficar alguns dias fora. Acho que ela vai sentir muito.
    Como vc preparou td. Conheceu todas essa grandes mulheres que te ajudaram?

    • Olá Cláudia!
      A questão de “deixar”o filho mais velho em casa é sempre uma questão importante nos segundos partos e é importante pensar em maneiras de suavizar esta transição… Todavia este não deve ser o único motivo para a escolha de um parto em casa. Você deve procurar profissionais que realizam este tipo de assistência para entender todos os benefícios e riscos e, então, se for o seu desejo e sua gestação mantiver-se de baixo risco até o bebê estar a termo, ter um plano que envolva pessoas que possam ficar / cuidar do seu filho, como uma amiga querida ou uma doula que tope ajudar neste sentido 🙂

Deixe uma resposta

https://www.netkart.org Στοίχημα paykasa