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Por Camila Santos de Sousa

Não pude sorrir para o meu filho na primeira vez que nos vimos. Nessa hora a enfermeira puxava a placenta e eu estava sentindo muita dor.

Eu não queria ter que falar sobre isso mas, um encontro me fez refletir que muitas pessoas podem ter passado pela mesma situação e outras muitas passarão, se nada for feito, então sinto que preciso falar.
No dia 10/06/2016 tinha uma consulta de pré natal marcada e quando entrei no consultório, a médica plantonista aferiu minha PA que estava 160×100 mmgh. Ela solicitou que eu ligasse para meu marido para que ele me acompanhasse até o pronto socorro/maternidade e me deu uma carta solicitando agendamento do parto, pois além da hipertensão eu estava com diabetes gestacional.

Cheguei ao hospital/maternidade, fiz vários exames e a Dra. disse que eu poderia ir para casa e voltar no dia 11/06, pois os resultados demorariam para sair e minha PA não estava alterada. As 09:00 (aproximadamente) do dia 11/06 fui até lá, na triagem PA normal, no consultório na hora de ouvir os batimentos do BB, a Dra. não conseguiu auscultar o bebê. Me desesperei, chorei, fomos até a maca e colocaram o cardiotoco aí conseguimos ouvir o batimento, então solicitaram um USG obstétrico. O médico disse que o BB não estava se mexendo, novamente desespero, ele disse que poderia ser por causa do jejum, pediu que eu comesse alguma coisa e retornasse, mas a outra médica havia solicitado jejum. Ele disse para eu pegar o resultado e falar com a médica, enfim nestas idas e vindas, me internaram as 20:00.

Passei a noite no hospital e no dia seguinte, 12/06, às 11:00 uma outra médica informou que pelo USG eu estava de 38 semanas, que era perigoso tirar o BB de 38 semanas devido a imaturidade do pulmão.

Às 12:00 eu comecei a sentir contrações, às 14:00 a bolsa estourou, então a médica retornou e pediu q eu fosse fazer nova USG. Chegando na sala de USG o Dr mandou eu voltar pq ele não faria o exame em trabalho de parto. Voltei ao quarto e me mandaram de volta para o pronto socorro porque como era final de semana não havia médico no andar.

Desde então ninguém mais me examinou, nem falou nada comigo, fiquei mais de 6 horas em trabalho de parto e NINGUÉM me examinou, quando eu estava exausta, minha mãe ou meu marido, não me lembro, solicitou que alguém me encaminhasse, então alguém chegou e gritou: “Gente pode subir ESSA DAQUI porque já está com 08 cm”.

Vieram os técnicos de enfermagem e dizendo “MÃE FECHA AS PERNAS, SE NÃO SEU BB vai nascer aqui” enquanto outro dizia: “essa é parideira hein, nem gritou…”.

Poderia ter acabado aqui, mas depois de chegar a sala de parto o médico queria subir na minha barriga porque eu “não estava sabendo como fazer a força” e o bebê não estava mais descendo. Meu marido não deixou, e enfim mais algumas “forcinhas” o Nathan nasceu. E não terminou por aí: a enfermeira havia feito a episiotomia e puxava a placenta. Eu estava sentindo muita dor. Comecei a falar para ela que estava doendo muito na parte mais superior do meu abdome, mas ela não ligou. Pediu para o meu marido sair da sala e continuou puxando, até que meu útero se inverteu e saiu junto com a placenta! Deste momento em diante  são cenas de terror que eu queria muito poder esquecer.

O dia do nascimento do meu primeiro filho, se tornou o pior dia da minha vida! Fui para UTI e meu BB para semi e ficamos separados no primeiro dia das nossas vidas. Além disso, o pós parto foi horrível devido as outras complicações que este dia me trouxe que ainda não consegui superar.

Estou contando isso para que as pessoas saibam que a violência obstétrica existe e acontece todos os dias! Infelizmente todas nós estamos sujeitas e isso tem que acabar!

 

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