Relato: o parto é um direito humano e reprodutivo, muitas vezes violado

threelittlebirds
Parteiras, mães de muitas
10 de fevereiro de 2016
Obstetra
15 de fevereiro de 2016

Já falamos aqui sobre a importância de uma assistência humanizada ao parto, baseada não somente no respeito ao corpo e ao tempo da gestante e do bebê, mas também às evidências científicas disponíveis. Hoje, falamos sobre a luta que muitas mulheres brasileiras enfrentam para ter o parto da maneira mais natural possível.

Quando gestantes declaram sua preferência pelo parto normal, sem o seguimento de protocolos desnecessários e artificiais, elas costumam ouvir críticas desencorajadoras de familiares, amigos e até profissionais da área da saúde. No blog Mãe Saudável, encontramos o relato de uma mãe que vivenciou um parto normal hospitalar, mas não exatamente do jeito que ela gostaria: a história é da Raquel, no nascimento de sua filha Isabella.

Raquel sempre soube, mesmo antes de engravidar, que queria que seus filhos nascessem por parto normal. Durante a gestação, buscou avidamente informações e se preparou, junto com o marido Bruno. Com ajuda de sua doula, Raquel passou pelos momentos iniciais do trabalho de parto em casa, sendo amparada pelo Bruno e por seus pais.

Quando as contrações já estavam intensas e próximas entre si, Raquel encaminhou-se ao hospital. Porém, desde a admissão, precisou discutir para ter seu corpo e suas decisões respeitadas. Forçada a deitar e examinada sem consentimento, acabou tendo Isabella sem apoio de seu marido, que foi proibido de acompanhá-la.

Infelizmente, esta história não é só a da Raquel, muitas mulheres passam por situações semelhantes. Quando as equipes não são preparadas para um atendimento humanizado, os direitos e a autonomia da parturiente costumam ser desrespeitados.

Por isso, sempre falamos sobre o poder da informação e das escolhas conscientes, pois no Brasil não basta apenas desejar um parto normal, há de se contruí-lo dentro de uma cultura que muitas vezes não compreende a importância do nascimento. A preparação do casal e a escolha de profissionais e locais que sejam condizentes com suas visões pode ser crucial para uma experiência positiva de parto. Aprofundar reflexões, levantar questionamentos e compreender o processo são atitudes essenciais para quem deseja ter autonomia.

O respeito às decisões da mulher e o apoio de profissionais competentes e comprometidos torna o nascimento de uma criança (e de uma mãe!) ainda mais emocionante e transformador e deveria ser um direito de todas nós! Reivindiquemos isso.

Imagem: Marenisabella

 

Deixe uma resposta

https://www.netkart.org Στοίχημα paykasa