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Na semana passada, comentamos sobre a posição do bebê e os diferentes tipos de parto existentes. Trazemos hoje, então, o relato da Bruna Galvão com um parto natural realizado mesmo com o bebê em posição pélvica. O final – adiantamos – é feliz!

Quando engravidei, penso que era como a maioria das mulheres que eu conhecia: nunca havia estudado sobre gravidez e parto, apenas conhecia algumas histórias, como as da minha família, em que ‘as mulheres não tem dilatação’ e, logo, todas fizeram cesáreas. Acredito na sabedoria da natureza e queria um parto natural, mas até aí, eu pouco conhecia sobre esse universo.

O seu primeiro médico disse que não poderia realizar um parto natural. Ela então procurou por outros profissionais:

Comecei a pesquisar sobre parto natural e logo encontrei material sobre parto humanizado e fui me simpatizando. Busquei um médico perto da minha região que fosse adepto e encontrei o que parecia ser o médico perfeito, que falava sobre parto humanizado, que também era homeopata e até constelação sistêmica fazia.

Segui com ele por uns 5 meses, mas alguma coisa dentro de mim dizia que havia algo errado. Me sentia um pouco intimidada e confusa nas consultas com ele. Até que um dia, uma vizinha me apresentou a uma amiga que teve um parto humanizado (porque até ali eu não conhecia ninguém que passou por um), e ela me indicou uma doula. Marcamos uma primeira conversa e eu contei toda empolgada sobre meu médico e ela na mesma hora me disse que ele era um cesarista.

Após procurar novos profissionais para auxiliar o parto, uma nova surpresa ainda aguardava o nascimento do Vinicius:

Optamos por uma médica em Campinas que gostamos bastante e nos passou muita segurança. Seguimos com ela. Mas como nem tudo na vida são flores, Vinicius insistia em ficar sentado. A médica nos orientou a fazer uma VCE (Versão Cefálica Externa). Nessa altura eu já estava de 37 semanas e fiquei naquela estatística pequena das VCEs que não dão certo. Como a médica não poderia fazer um parto pélvico, eu caminhava para cesárea.

Com a vontade de passar pela experiência de um parto natural mesmo com a condição de posição pélvica do bebê, uma nova troca de médicos foi necessária, desta vez por uma com grande experiência em partos pélvicos:

Com 38 semanas, mudei novamente de médico. Consegui passar por duas consultas e, na madrugada depois da segunda consulta, minha bolsa rompeu, às 4h30. A doula me orientou a descansar após eu avisar a equipe. As contrações começaram a vir mais intensas e ritmadas lá pelas 7h. Às 8h, saímos de Jundiaí para irmos fazer um cardiotoco em São Paulo. Chegamos lá por volta das 10h30, eu já estava com 7cm de dilatação e o Vini estava bem. Fomos então para o hospital e entrei na sala de parto às 12h. O leque da doula, os exercícios respiratórios e a bolsa de água quente na minha lombar foram fundamentais para o alívio da dor. O trabalho de parto foi evoluindo e o Vini ainda estava um pouco alto e meu colo ainda um pouco grosso quando entrei no expulsivo. Mudando de posição, tivemos alguma evolução, quando o médico, monitorando o cardiotoco, me disse que era importante eu fazer o máximo de força que eu pudesse, pois já não estava mais tão bom para o Vinicius e teríamos que caminhar para uma cesárea. Não podia existir argumento melhor. Primeiro o bumbum, depois as perninhas e, por ultimo, a cabecinha. Lembro de ficar incrédula ao vê-lo de cabeça para baixo entre minhas pernas! Havíamos conseguido!

Logo depois foi para meu colo. Ele estava chorando e quando eu falei: ‘Tá tudo bem, a mamãe ta aqui’ e ele parou de chorar, senti algo inexplicável! Que conexão! Uma sensação de gratidão e empoderamento tão grande me preencheu!

Mesmo contra adversidades durante a gravidez, o parto aconteceu em condições normais, sem que uma intervenção que seria recomendada pela maioria dos médicos fosse necessária.

Hoje eu penso que parto humanizado é para dois tipos de mulheres: aquelas que têm uma conexão enorme com o corpo e com a natureza, que sentem o que é o melhor para elas e para o bebê; e aquelas que se buscam informação na fonte, baseada em fatos e dados e não têm medo de questionar o status quo. Gostaria muito de ter sido o primeiro tipo, mas fui o segundo.

A partir de então, eu nunca mais tive dúvida sobre os cuidados com o meu bebê. Lembro da primeira consulta com a pediatra, quando ela disse: ‘agora, suas dúvidas’ e eu disse: ‘nenhuma, você pode cortar a unha dele?’ 🙂

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