Por Nicole Larraz Massa Mariano

Dia de Lua Cheia de Maio, de Buda, de Baba, Wesak… dia de Benção Mundial do Útero. Primeiras contrações… não dei muita importância, pois faltava ainda 1 mês para a data provável do parto de Dom. As contrações de treinamento não têm dor, me disse a doula… achei estranho.

Praia, yoga, mar, namorar, reunir se em círculo com 33 mulheres para cuidarmos de nossa ancestralidade… um dia verdadeiramente especial! No dia seguinte, era o dia de ensaio de fotos de gestante na Lagoa do Carcará… de ultima hora, um imprevisto, em verdade uma guarnição… remarca para o dia seguinte, ok!

Após o almoço, novamente contrações… estranho… repetem-se. “Meu bem, vamos contar…” Quanto tempo se passou? 14 minutos.. e agora? 14 minutos… que estranho, estão ritmadas. Mensagem para a doula. “Vamos observar, ontem você teve teve um dia muito intenso, com muitas atividades, relaxe, tome um bom e longo banho morno, pernas para cima e chazinho”… ok, feito! E as contrações continuam… ê laiá.

Corre para olhar o quarto do Dom, nada organizado, roupas ainda por lavar, mosquiteiro para pregar, anda para um lado, anda para o outro, “Domdom!! Estás mesmo querendo chegar?” Meu bem, prega isso no teto, vai que… Acho que vou lavar as roupas… rs, mas e se todas ficarem molhadas… não, ufa… respira e respira mesmo, pois estão ficando mais inteensaaasss… fico de quatro e já não respondo mais no tempo certo, ele que fala ao celular. Marido olha para mim e fala: Acho que você está em trabalho de parto!!! rs

E meu curso de Aromaterapia na próxima semana? Já têm mais de 15 inscritos…, nem fizemos o chá de Dom! O ensaio de gestante, o Prem Baba vem aí… ui, desapega!

Liga para a auxiliar da parteira, relato… hummm… “acho bom ir ao médico, ser examinada, pode ser que tomando algo possamos impedir o trabalho de parto, caso seja isso… Veja com a obstetra que acompanhou seu pré natal: mesma recomendação.

Eita, mas onde? Maternidade? Hospital? Qual? Estávamos programando parto domiciliar, mas como o plano está em carência para parto. Foi quando a parteira aprendiz sugeriu a maternidade escola, que por ser estudante de medicina poderia entrar conosco… e lá tem UTI neo natal, caso precisasse, nos confortou ela…. Então pronto, é essa…ufa, respira e vamos!!

Será que levo bolsa? Que bolsa? Coloco o que? Aiaiaiaiaii… uma roupa p mim, uma para você e umas 2 para o bebê… pronto! (não tínhamos nenhuma fralda ainda, apenas de pano, sem lavar… não levamos lençol, paninhos pro bebê… enfim!! Entrega e simbora!

Pega a futura parteira e vamos… ausculta do bebê… tudo certo, bolsa íntegra, lua cheia no mar, via costeira… uau… respira…
Simplesmente perfeito, marido consegue a melhor vaga na frente da maternidade, que está cheia (afinal é lua cheia e bebês gostam de chegar nesse momento, né?), falam para a parteira aprendiz que também é estudante de medicina e tem acesso livre lá..: já que você conhece ela, pode ir dando entrada, para agilizar??? Claroooooo… ô coisa boa! Sinais….

As contrações não param, só se intensificam e no intervalo, pergunto: Posso dançar? Já dançando… é ritmo de festa… já não estou mais na mesma dimensão. No exame de toque: 8cm de dilatação…. ihuuuuu… (paradigma rompido, sim, dilato!!!) É hoje mesmo, é ele, tá vindo, é verdade!!!
Hummm… Pode ser normal então né? Claro, já tá quase…. ainnn que alegria!!!
Então vamos! Podes adiantar a internação?, perguntam novamente para nossa anja… Clarooo eba!

Chegando lá 2 quartos cheios de mulheres a espera da hora da cesárea, da vaga para parir, em observação… não tenho condições de me deitar… eu quero me movimentar… pensei… mas estava tudo na fluência divina, de como tinha de ser, não precisei falar nada, pedir nada, tudo foi provido… conseguimos na sala de parto, um banheiro bem espaçoso e lá foi minha casa de parto por ao menos 6 horas… a doula estava lá mas não pôde entrar… só 1 acompanhante… ainnn o apoio da doula, os cheirinhos, massagens… quero… sai o pai, entra a doula… passa um tempo entra o pai, ficam os 3, doula, parteira, pai… e eu e Dom no processo.
E que processo, momento fora do tempo, jornada terapêutica caverna de mim, abrir espaço para um novo ser chegar! Morrer para renascer e ser, ser mãe…

Sentimentos, sensações, dor, prazer, medo, renuncia, entrega, confiança, resgate, humildade, simplicidade… ali, naquele banheiro de maternidade pública, ora no chuveiro, ora no chão, na bola, no céu e na terra de mim mesma, pude vivenciar com dignidade e guarnição divina, o MOMENTO MAIS PLENO e forte de toda a minha vida.
Acompanhada de meu companheiro, que me apoia, confia que sou capaz, me dá força e de 2 profissionais, amigas, mulheres, pessoas lindas que amam e se entregam ao que fazem, auxiliar uma mulher a parir da melhor maneira possível. E nesse possível entra tudo o que acontece no momento de cada uma…minha doula foi até cipó para eu me agarrar… rsrs.
Palavras certeiras, sensibilidade de ver e sentir aonde a mulher está e o que precisa para fazer (ou não fazer, rs) para soltar essa nova vida que ainda habita o ventre em água…

Para mim, foi e vem sendo um GRANDE aprendizado de que não estamos no controle, de que quem sabe o Tempo é Deus, da essência da simplicidade, da importância de ter flexibilidade para fluir… sem resistência ao que se apresenta… confiança de que sempre está tudo certo, de que NADA nesse Universo se move sem a permissão divina!

Vem meu filho…. sinto o tal círculo de fogo… E vem mesmo, bolsa rompeu quase no final do expulsivo (na cara da parteira e do marido!!!) e bebê chegou chegando (sem episiotomia, mas com laceração de 2 grau natural, avalanche de Dom), chorou e mostrou que estava cheio de saúde… não foi preciso NENHUMA intervenção no bebê, 48cm, 2,7kg (bem próximo das medidas que eu nasci, com 9 meses)… veio direto para o meu colo, cordão ainda pulsou por mais de 10 minutos, pude ver e tocar a placenta, bebê cheio daquela gordurinha linda protetora, o vérnix que a própria pediatra recomendou não tirar, apenas enxugar um pouco o excesso… equipe linda!

Dom já mamou e me olhou na primeira hora de vida, soube pegar o peito direitinho! Radiância no ar, alegria transbordante de vivenciar tamanha experiência… E assim Dom vem à este Mundo, coroar esse Amor de papai e mamãe, selar a família que agora somos e veio trazendo diversos ensinamentos em muito pouco tempo.

Nas 48 horas que se seguiram até a alta foram momentos de muita flexibilidade fluídica, resiliência, atenção, oração e muita, muita gratidão.
Chegamos em casa no Pôr do sol do domingo do dia das Mães, com um pacotinho lindo e dependente de nosso cuidado… Hora de seguir essa sublime missão, sim, agora sou Mãe e tudo está apenas começando… rito de passagem bem marcado! Que essa força me acompanhe durante esse lindo e intenso caminho do maternar!

 

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